quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Atualização 2020 09 17

O mundo é uma roda – Por Mestre Tuti
Texto revisado

     

Os capoeiristas mais experientes são altamente eficientes nas analogias entre a roda de Capoeira e a roda do mundo: a personalidade se revela e é a mesma em ambas.

Conhecimentos da prática da Capoeira são vitais e otimizam a vida de quem se propõe a usá-los fora da roda. Uma rasteira pode ser um desencontro em alguma relação profissional, amorosa, familiar, etc., mas que, quando ciente do axé (energia vital) que a Capoeira passa, o cidadão cai amortecendo, sacode a poeira e dá a volta por cima. A sabedoria dos mestres diz até que um bom capoeira não cai, ele apenas escorrega; não quebra, apenas enverga. Diz também que o mundo dá voltas, e nas voltas do mundo muitas vezes os papéis se invertem.

A ginga tem um balanço, um jogo de cintura, necessário para saber que é melhor engolir um sapo pra não ter que engolir um boi em nosso cotidiano. Fintar um golpe para receber um contragolpe e então terminar a ação com um belo desequilibrante é o que caracteriza a tática de segundas intenções do capoeirista veterano, malicioso; ação extremamente útil para evitar confrontos diretos e pegar o adversário – em qualquer área – desprevenido.

O aprendizado por osmose, por espelho ou ‘oitiva’, como queiram, com os mais antigos é capaz de trazer benefícios enormes para quem possui características desfavoráveis à sua realização pessoal, tais como medo e insegurança, ou seja, convivendo com quem tem coragem, usando-o como referência, o mundo com suas agruras será mais fácil de ser enfrentado.

 

Falando em roda...

 

Vale uma imagem para este momento de saudades.



quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Atualização 2020 09 10

Boi de mamão e Capoeira

        Em 2019, a Associação Cultural Capoeira na Escola (Accaes) foi contemplada com o prêmio Elisabete Anderle de Incentivo à Cultura. O objetivo descrito foi o de qualificar a apresentação do folguedo popular do Boi de mamão, já presente nas ações da Accaes, melhorando a conceituação histórica dos agentes culturais envolvidos, bem como, melhorando a estética dos personagens com novos materiais e tecidos utilizados nas oficinas propostas.

Os pontos de intersecção entre o jogo da Capoeira - manifestação cultural difundida mundialmente e reconhecida como patrimônio cultural da humanidade em 2014 – e o folguedo popular do Boi de mamão são mais evidentes do que se possa imaginar. A começar pela origem, ambas as manifestações culturais são heranças culturais dos negros escravizados no Brasil-colônia, que depois receberam influências indígenas e portuguesas (açorianas).

A Capoeira surge como forma de resistência ao sistema escravocrata; já o folguedo do Boi de mamão suscita, desde os ancestrais de diferentes regiões do planeta, a exaltação ao ser mitológico que representa força e vitalidade. Assim, nos domingos à tarde, únicos momentos de repouso, os negros brincavam com o Boi ou, disfarçadamente, dançavam a Capoeira, no intuito de esconder a luta que os libertaria do cativeiro.

A navalha, antigamente usada nas maltas, exaltada na memória histórica da Capoeira, foi trazida de Portugal e assimilada pelos valentes capoeiristas que ajudaram o País a vencer a Guerra do Paraguai. Aos vencedores, a carta de alforria e a possibilidade de morar pelo Sul do Brasil, já que, em sua maioria, moravam no Rio de Janeiro e Bahia, gerando uma miscigenação cultural com habitantes locais.

Dessa forma, o contexto histórico do século XIX proporcionou que se unissem a batucada africana, ‘o boi na corda’ praticado no arquipélago dos açores, a brincadeira domingueira do boi pelos escravizados no Brasil, com o fato dos Jesuítas se aproveitarem do folguedo para incutir valores religiosos como a ressurreição, a fidelidade em detrimento ao adultério etc., o que fez com que o Boi de mamão se tornasse uma manifestação cultural de forte apelo popular.

Por fim, ‘capoeira’ é um termo de origem indígena que significa ‘mato ralo’, ou seja, o mato que acabou de ser roçado ou que alimentou o boi. Com este projeto, a Associação Cultural Capoeira na Escola busca fortalecer ainda mais os laços entre essas duas manifestações tão presentes na cultura da Grande Florianópolis.

 


Aldir Blanc...

 

...já dizia que “o show de todo artista tem que continuar”, porém, ele deve estar inquieto no além vendo a lentidão proposital dos poderes públicos na efetivação prática da Lei que leva seu nome.

           


 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Atualização 2020 08 24

Distanciamento social

    Depois de cinco meses de distanciamento social por conta da pandemia, a Associação Cultural Capoeira na Escola retoma o registro de ações neste site. A base dos trabalhos, o Projeto Capoeira na Escola, continua sem aplicação devido às orientações sanitárias, porém, há muitas informações necessárias que devem ser acessadas pelos praticantes e este canal é um meio de comunicação eficaz para isso.

    Neste meio tempo, as reuniões, treinos de cantigas e ritmos, bate-papos sobre grandes nomes da Capoeira e debates sobre conflitos atuais aconteceram de modo virtual. São encontros semanais de graduados em plataformas digitais que mantém a chama dos vínculos acesa. Quando este momento histórico surpreendente passar, será menos difícil de colocar mais carvão nessa fogueira, pois há uma brasa forte de Capoeira sendo alimentada.


Contra o controle da Capoeira

    De longa data e ciclicamente, uma pequena parcela da comunidade da Capoeira retoma suas articulações políticas em nível federal com vistas a uma suposta regulamentação da Capoeira como profissão. Esquecem-se esses (ou se fazem de cegos) que a Capoeira nasceu com os cativos em busca de libertação; que um controle total do Estado, mesmo que tutelado por pequenos coletivos estaduais de mestres, só poderá trazer a exclusão de muitos praticantes veteranos que querem continuar a sua práxis exatamente como a fazem há décadas; que um ‘Conselho’ determinar quem pode ou não pode dar aulas de Capoeira é uma escancarada reserva de mercado; que qualquer delimitação das nuances da Capoeira é uma redução de sua diversidade, portanto, o seu empobrecimento.

    Cada capoeirista deve ter o direito de se relacionar com a Capoeira da forma que achar mais conveniente: os que são atletas que façam seus campeonatos; os que são historiadores que escrevam seus livros e profiram suas palestras; os que são jogadores, que joguem até desmaiar de cansaço; os que são músicos que cantem até a voz exaurir; os que querem tê-la como a sua profissão que a exerçam do modo mais responsável possível; e aqueles que querem ser isso tudo (e muito mais) que o façam sem querer que os demais sigam a mesma trilha. Afinal, ninguém consegue resumir a Capoeira ao seu olhar individual.

    Por conta disso, a Associação Cultural Capoeira na Escola posiciona-se contrária à regulamentação da Capoeira como profissão e coaduna com o Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina.


9º Encontro Catarinense de Capoeira Especial – Edição on-line

    Quantos sonhos adiados... Se é difícil manejar e manter o controle emocional neste momento trágico, imagine para uma pessoa com deficiência. O Encontro Catarinense de Capoeira Especial é sempre um sonho que se renova a cada ano. Finda uma edição e já se pensa na próxima: quando vai ser a viagem, quando receberão outra medalha de participação, quando verão os amigos de outras cidades, quando poderão participar novamente daquela linda festa da inclusão?

    Por pensar em não deixar essas respostas e o sonho para o próximo ano, os mestres e professores que trabalham com Capoeira Especial em diferentes municípios já iniciaram as conversas para a realização da edição on-line desse encontro.

    Aguardem as novidades.