segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Atualização 2019 10 14


Formaturas
           
        No dia 22 de novembro, no auditório do SEST/SENAT, às 20h, acontecerá mais uma cerimônia de formatura do Projeto Capoeira na Escola. O Professor Marcelo Corcel forma-se Contramestre de Capoeira (corda roxa e vermelha), e os Instrutores Algodão-Doce e Lucas Manequinha formam-se Professores (corda roxa). Além das formaturas, haverá também a graduação dos demais educadores da Associação Cultural Capoeira na Escola.
        Já no dia 23 de novembro, no Ginásio da Univali, às 15h, acontecerá a graduação anual dos demais alunos do Projeto Capoeira na Escola.




Associação Cultural Capoeira na Escola (ACCAES) premiada no Edital Elisabete Anderle
            
           A Fundação Catarinense de Cultura divulgou a lista de projetos contemplados no Edital Elisabete Anderle 2019. A ACCAES foi contemplada com o Projeto “Naquela Capoeira tem um Boi... de Mamão”. A ideia é estruturar ainda mais o folguedo apresentado pela Associação, a qual busca enfatizar as raízes afro-brasileiras com influências açorianas desta manifestação tão presente no litoral catarinense.

Clique na imagem e veja os demais contemplados


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Atualização 2019 09 19

Registro: Congresso Catarinense de Educação Especial
      
     Mestre Tuti, Fernando Bueno, participou como componente da mesa “Atividade Física Adaptada e Inclusão” no Congresso Catarinense de Educação Especial, realizado pela Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
     Depois de relatar sobre a Capoeira para pessoas com deficiência em Santa Catarina, trabalho em que é um dos pioneiros, Mestre Tuti participou dos debates acerca da inclusão das pessoas com deficiência no ensino regular e nas políticas de esporte.
      Os componentes da mesa foram: Professor Richard Ferreira Sene (UNISUL), Professor Rudney da Silva (UDESC), Professora Adriane Kuritza (AMA), Professor Fernando Bueno (FCEE) e a coordenação foi feita pelo Professor Thiago Sousa Matias.








Agende-se: 8º Encontro Catarinense de Capoeira Especial



Jogo de Ouro 2019 - Resultados e Fotos


Clique na imagem para ver mais fotos


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Atualização 2019 09 12


Aniversário Academia Just Gym

Nesta quinta-feira (12/09), às 21h, a Associação Cultural Capoeira na Escola fará apresentação no aniversário da Academia Just Gym, do amigo, proprietário e capoeirista, Serginho Coan.
Obs.: Não haverá treinamentos na Asmub neste dia.



Jogo de Ouro
           
Fruto da parceria entre a Prefeitura Municipal de Biguaçu, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, a Universidade do Vale do Itajaí e a Associação Cultural Capoeira na Escola, acontecerá no próximo sábado (14/09), às 14h, no Ginásio da Univali, Biguaçu, o campeonato Jogo de Ouro 2019.
O evento tem o objetivo de estimular nas crianças e adolescentes o treinamento em duplas e também de conferir o melhor jogo do dia com os adultos.
Na ocasião, haverá a exposição de pinturas do artista Marceu Cardoso.



segunda-feira, 2 de setembro de 2019

A Democrática Capoeira Regional

       
Vive-se hoje no Brasil uma situação de intolerância e de tentativas de imposição de ‘verdades’ que afeta todos os campos da sociedade. Basta que o outro tenha uma opinião contrária para que surjam as argumentações de que aquilo não presta, de que a situação atual é culpa do fulano, de que você é um idiota por ter outra forma de ver as coisas.
Essa situação ficou evidente nas últimas eleições, mas transcendeu as barreiras da política partidária e se evidencia também na Capoeira. Não que os antagonismos dentro desse universo não existissem antes, mas valorizava-se mais a diversidade como sendo a grande força da Capoeira. Toda tentativa de padronização ao todo caía por terra, sendo relegada aos grupos, associações, federações, que assim o faziam àqueles que se submetiam aos tais acordos internos.
Mestres Bimba e Pastinha coexistiam, cada um com as suas formas de proceder, diferentes, mas em prol da Capoeira. Em farto material bibliográfico e documental, bem como na História Oral ainda disponível com os eternos discípulos de Bimba, a este toda a glória de ter tirado a Capoeira da marginalidade. Se hoje a nossa arte está em mais de cento e cinquenta países, em todos os continentes, em todos os estados do Brasil, é porque, lá atrás, Manoel dos Reis Machado trilhou um caminho diferente daquele que fez com que a Capoeira fosse proibida pelo código penal.
Visionário, Mestre Bimba identificou que se quisesse de fato fazer valer a sua frase, que dizia “Eu fiz a Capoeira Regional pro mundo”, ele deveria se infiltrar na sociedade que não teria acesso à Capoeira enquanto ela tivesse somente como habitat os guetos, cortiços, portos e mercados. Isso foi uma forma de democratizar a prática da Capoeira e, num segundo momento, abrir as portas da descriminalização.
É inegável que havia interesse do ‘Estado Novo’, que na busca de uma nova legitimidade, fez o governo buscar subsídios em inúmeros intelectuais da nova ciência que se organizava no Brasil: a Sociologia, representada em Gilberto Freyre, Artur Ramos, Oracy Nogueira, entre outros. Ao primeiro citado, sua principal obra – Casa Grande Senzala - é enquadrada como base para a criação do Mito da Democracia Racial, que serviu para camuflar o racismo existente desde sempre no Brasil.
 Influenciado por esse novo saber, o então Presidente, Getúlio Vargas, construíra um novo modelo de nação. De pátria dos europeus nos trópicos em busca da civilização, o Brasil se tornava um país com uma civilização original, o luso- tropicalismo, capaz de dar lições às outras nações do mundo por meio da mestiçagem.
Fato é que havia um interesse do Estado, assim como havia em Mestre Bimba, de fazer com que a Capoeira se expandisse. Mestre Bimba usou esta via de mão dupla a seu favor.
A sua metodologia, o seu ritual, em nada foram embranquecedores da Capoeira, pelo contrário, tornaram os brancos mais negros; o berimbau de ponta é mais antigo e africano do que os berimbaus brasileiros feitos com a base cortada; o atabaque usado esporadicamente em festas de largo, passa a ser usado com mais rotina na Capoeira somente na década de 1960, nos shows folclóricos da Bahia, portanto, não foi Mestre Bimba quem tirou o instrumento de onde ele nem se fazia presente; Mestre Bimba usava o atabaque nos rituais de Candomblé, dos quais fazia parte junto à Mãe Alice, e nunca negou a sua religiosidade.
Ainda assim, há pessoas que afirmam que Mestre Bimba descaracterizou a Capoeira para poder atuar; que ele ‘higienizou’, tirando elementos presentes nos rituais anteriores aos de sua metodologia; que ele ‘embranqueceu’ a Capoeira. Reforço, esquecem-se de que sem Mestre Bimba a Capoeira, de modo geral, não chegaria até aqui, firme e forte, em todas as suas vertentes.
Na Regional de hoje em dia, a democratização proposta por Mestre Bimba continua viva. É lindo de ver pessoas de diferentes grupos, alunos novos e antigos, gêneros e etnias distintos, tendo a possibilidade de se expressarem na roda com harmonia e respeito ao ritual criado por Mestre Bimba e muito bem preservado pelo seu filho, Mestre Nenel.
Aos que não se identificam, fica o direito de ir e vir, um dos pilares da democracia, ou seja, ‘não gosto, não vou’. Porém, comparar um ritual secular de tamanha significância com qualquer outra Capoeira, no intuito de diminuir a herança cultural da Regional, é no mínimo fruto da intolerância que faz com que não se enxergue coisas óbvias e que se acredite que apenas a sua forma de ver o mundo é a correta.
Iê, Viva seu Bimba...


Por: Fernando Bueno (Mestre Tuti - SC)

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Atualização 2019 08 29


Exposição de Arte
           
Marceu Cardoso acompanha as rodas de Capoeira desde a chegada de Mestre Pop a Florianópolis, em 1977. Em alguns momentos, apenas como observador, em outros, também como capoeirista, mas sempre disposto a captar os movimentos e registrá-los em suas geniais telas de pintura.
            Não raras foram as vezes que, após um evento, sentados em um restaurante, formavam-se rodas de capoeiristas espectadores para verem Marceu fazer um lindo desenho num simples guardanapo. Inclusive, alguns dos traços desse grande artista viraram logotipos de grupos de Capoeira; estão eternizados em livros e estampas de camisetas; seus quadros estão na Associação Brasileira de Capoeira Angola, na Academia de Mestre João Grande (Nova Iorque) e, recentemente, na Escola de Capoeira Filhos de Bimba (Bahia).
            No próximo dia 14 de setembro, Marceu Cardoso fará exposição de algumas de suas obras em evento da Associação Cultural Capoeira na Escola, em Biguaçu, no Ginásio da Univali, a partir das 14h.
Imperdível!



Intercâmbio de Experiências de Salvaguarda

Clique na imagem para fazer a inscrição


Próximas atividades

- 07 de setembro: Desfile cívico e Roda de Capoeira, Biguaçu, às 09h.
- 07 de setembro: Abertura da Olimprocasa, às 14h, Ginásio do SESI – Campinas, São José.
- 14 de setembro: Festival Jogo de Ouro, Biguaçu, às 14.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Atualização 2019 08 06


Edital Elisabete Anderle 2019

            Foi lançado pela Fundação Catarinense de Cultura o Edital Elisabete Anderle de Incentivo à Cultura - 2019. A última edição aconteceu em 2017 e apenas três projetos de diferentes proponentes relacionados à Capoeira foram contemplados.
            A inserção de projetos deve ser feita até o dia 12 de setembro no site: https://elisabeteanderle.idcult.com.br/



Roda mensal

            Neste sábado (10/08) é dia de roda do Projeto Capoeira na Escola. Será às 15h, na Praça do bairro Rio Caveiras, próxima ao supermercado Koch.
            Em caso de chuva, a roda acontecerá no Centro de Artes Marciais (CAM).



quinta-feira, 25 de julho de 2019

Programação e orientações aos participantes da Imersão em Capoeira Regional:


- Todas as atividades iniciarão pontualmente; portanto, fique atento à programação;
- Haverá almoço no sábado ao custo de R$ 22,00, no SESC. Os interessados devem comprar o ticket na lanchonete do restaurante, na sexta-feira;
- Para participar da aula de toques de berimbau é necessário trazer o seu instrumento;
- Não é necessário uso de uniforme de Capoeira, porém, não será permitido o uso de shorts;
- Os treinamentos e rodas deverão acontecer com pés descalços (optativo para Mestres);
- As palestras e aulas não poderão ser filmadas;
- No período vespertino de sábado (27/07), depois das aulas de Sequência e Cintura Desprezada, todos seguirão em carreata para o Espaço Cultural Aruandê, que fica no Sul da Ilha. O transporte é de responsabilidade individual, mas serão disponibilizadas caronas para ida;
- No Espaço Cultural Aruandê, haverá roda e a Noite do Conto, em que os Mestres presentes contarão histórias que aconteceram em suas trajetórias de Capoeira. Haverá jantar ao preço de R$ 10,00;
- Organize-se para participar de todas as atividades formais e informais e assim fazer valer o título do evento: uma imersão nas águas do conhecimento sobre Capoeira Regional.



quarta-feira, 24 de julho de 2019

Imersão em Capoeira Regional: Lançamento de Livro.

Nesta sexta (26/07), pontualmente às 20h, no SESC (Prainha - Fpolis), começa o encontro Imersão em Capoeira Regional. A primeira atividade será o lançamento do livro “Bimba: Um século de Capoeira Regional”, com momento para autógrafos e fotos, bate-papo sobre as tijubinas e roda.
Hoje (24/07) é o último dia para confirmação de inscrições.
Não fique de fora: http://bit.ly/capoeiraregional


terça-feira, 23 de julho de 2019

Imersão em Capoeira Regional: A Sequência e a Cintura Desprezada.


Nas primeiras décadas do século passado, o ainda jovem Manoel dos Reis Machado, mais tarde conhecido como Mestre Bimba, criou uma metodologia de treinamento composta de diversos itens, entre os quais, uma sequência de ataques e defesas composta por oito partes e outra de projeções intitulada de cintura desprezada composta por quatro balões (apanhado, balão de lado, balão de frente e gravata alta).
A Sequência de Mestre Bimba é considerada até hoje uma fantástica forma de alfabetização do jogador de Capoeira, bem como, um excelente exercício para os mais experientes e também um aquecimento da melhor qualidade para o treinamento de outros movimentos.
Já a Cintura Desprezada foi criada pelo Mestre com o intuito de fazer com que os alunos, em situação de confronto real, ao serem projetados pudessem cair de forma a já estarem prontos novamente para a contenda. Vale destacar que dentro do jogo no toque da Iúna, em que somente formados jogam, os jogadores precisam fazer ao menos um dos balões da Cintura Desprezada.
Dentro da programação da Imersão em Capoeira Regional haverá o momento para o treinamento da Sequência e da Cintura Desprezada, ambas em suas formas corretas e originais, sob a supervisão dos Mestres Nenel e Preguiça.
            Inscrições no link: http://bit.ly/capoeiraregional



segunda-feira, 22 de julho de 2019

Imersão em Capoeira Regional: últimos dias para confirmação de inscrição.

Não perca a oportunidade de ampliar os seus conhecimentos sobre Capoeira Regional. As inscrições vão até à próxima quarta (24/07).
Para confirmação de inscrição, o interessado deve enviar o comprovante de transferência por e-mail também até o dia 24/07.
            Inscrições no link: http://bit.ly/capoeiraregional


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Imersão em Capoeira Regional: Saiba mais sobre as Tijubinas


A Mulher na Capoeira Regional.
Texto de Mestre Cafuné

A mulher sempre teve uma presença ativa na capoeira e na vida do nosso saudoso Mestre Bimba. É sabido que foi grande o número de ajudantes, namoradas, companheiras, esposas e filhas que permearam toda a trajetória do Mestre. Ele nunca dispensou a presença da figura feminina em seus trabalhos diários (...).
Também como capoeiristas, o Mestre algumas vezes tentou introduzi-las em suas aulas. É certo, porém, que nenhuma turma de alunas chegou ao final do curso. Os motivos foram sempre os mesmos para a interrupção das aulas: interferência dos namorados, que por ciúme as impediam de continuar; o envolvimento sentimental entre os alunos e as alunas, muitas vezes gerando a gravidez da colega; o casamento de outras etc. Enfim, sempre a figura masculina se interpondo nos caminhos das Tijubinas, que era como o nosso Mestre as nomeava.
Na década de 1960, exatamente nos anos 67 e 68, a última turma que temos registro era composta por quatro mulheres:
- Marinalva Nascimento Machado, a Rosa Rubra, uma das filhas do Seu Bimba, ainda hoje praticando a capoeira com seu irmão Mestre Nenel;
- Zilá, a Branca de Neve, que namorou o aluno Valmório Lacerda, o Bolão, depois casou-se com ele, atualmente é Advogada e têm prestigiado a Fundação Mestre Bimba com sua presença nos eventos e até nos presenteou com uma valiosa coleção de fotos de nossa Academia na década de 1960.
- E outras duas mulhers: Virgínia e Ajurimar Tanajura.
Além dessas capoeiristas, outras mulheres foram muito importantes na vida do seu Bimba, como é o caso de Dona Anita, que com dezessete anos de idade conheceu Mestre Bimba e foi a mulher que o levou ao altar na igreja de Santana, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.
            Já Alice Maria da Cruz, a dona Alice, foi uma das mulheres que mais tempo estiveram ao lado de seu Bimba. Nos idos de 1967, quando ingressei na capoeira, ela era uma pessoa muito importante para a união de nosso grupo, com seu jeito meigo e simples de nos tratar, cuidava das nossas roupas de treino, dava conselhos, acompanhava nossas dificuldades ou pequenos  problemas particulares e até intercedia junto ao Mestre quando tínhamos receio de chegar a ele com algum assunto mais delicado.  É Mãe de Santo de Candomblé de Caboclo e era uma das moças que fazia parte do grupo de samba de roda que Seu Bimba apresentava junto com sua capoeira. Tinha uma voz  de contralto muito afinada que se destacava no comando do coro.  Ela foi quem criou as crianças Nenel e Nalvinha por desejo do Mestre quando de sua separação de D.Berenice.
Quando Mãe Alice chegou na vida de Bimba mais duas mulheres já o acompanhavam:
- Berenice (Bena), mãe de Manoel Nascimento Machado, o Mestre Nenel, e de Marinalva Nascimento Machado, a Nalvinha; e
- Nair, mãe de Demerval dos Santos Machado, o Mestre Formiga, falecido no ano de 2003, e Luiz Lopes Machado, o Luizinho, hoje em Goiás, que como Mestre de capoeira procura dar continuidade ao trabalho de seu pai. (...)
            Além dessas informações passadas pelo eterno discípulo de Bimba, o Mestre Cafuné, vale destacar o papel fundamental das Tijubinas nos registros fonográficos, participando e dando a “impressão digital” das cantigas da Capoeira Regional.
            Saiba mais sobre as Tijubinas na palestra com a Mestra Preguiça, lenço branco da Filhos de Bimba Escola de Capoeira. Inscrições no link: http://bit.ly/capoeiraregional



domingo, 7 de julho de 2019

Luto no Projeto Capoeira na Escola

A Associação Cultural Capoeira na Escola se solidariza com os familiares, com os colegas de treino e com o Instrutor Algodão-Doce pela passagem precoce do jovem capoeirista Maicon Bovee.
Luz a todos.

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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Atualização 2019 07 05


Roda mensal

Neste sábado (06/07) é dia de roda do Projeto Capoeira na Escola. Será às 15h, na Praça do bairro Rio Caveiras, próxima ao supermercado Koch.
Em caso de chuva, a roda acontecerá no Centro de Artes Marciais (CAM).


quinta-feira, 27 de junho de 2019

Imersão em Capoeira Regional: Chamada na ‘Benguela’


Por: Mestre Tuti

Fui a um evento de um amigo de longa data e vivenciei pela segunda vez em todos os meus trinta anos de capoeiragem alguém fazer uma chamada (passo a dois) no toque de ‘Benguela’. A primeira vez foi há uns vinte anos; na época eu não tinha o senso crítico de hoje, tirei uma onda do camarada e ficou por isso. Agora, nessa segunda vez, não posso me furtar de escrever algumas reflexões, sob pena de ser conivente com as diversas reações dos capoeiristas também presentes e de negar o meu convívio com a Turma de Bimba.
Após um tempo de andamento, o toque pedido para a bateria foi “Benguela”. Os instrumentos estavam dispostos da seguinte forma (dir. p/ esq.): agogô; atabaque; três berimbaus e dois pandeiros. Houve uma rápida troca de informações entre os componentes da bateria, pois quem estava no berimbau grave (Berra-boi) é defensor da Capoeira Angola; portanto, distanciado por opção de um toque derivado da Capoeira Regional. Vendo o impasse, alguém disse: “É o toque de Angola com mais uma batida da nota presa (com o dobrão).”.
Parece uma pergunta batida, mas é necessária para esse texto: “É Banguela ou Benguela?”. Mestre Toni Vargas sugere, em seu último disco, perguntar a Seu Bimba. Sintetizo essa sugestão no fato de olhar a capa do disco de Mestre Bimba - Curso de Capoeira Regional - e constatar que ali está escrito “Banguela” (com ‘a’). Alguns até cometem a injúria de dizer que Mestre Bimba queria dizer “Benguela”, mas não o fez por questões de dificuldade de pronúncia. Mestre Bimba, com a assessoria de seus alunos universitários, que dialogavam até sobre a melodia e o encaixe das letras nas quadras, permitiria um “erro gráfico” em seu disco? Penso eu que não. Assim, para o Mestre e criador do toque, era Banguela mesmo.
Mestre Nenel confirma e acrescenta que o toque de Banguela não é “o toque de Angola com mais uma batida da nota presa”; demonstrando, com fidelidade ao disco, a base do toque como sendo: “um chiado, uma solta (sem o dobrão) e apenas uma presa (com o dobrão)”. Segundo ele, desde que seja harmônico com o que está na gravação de Mestre Bimba, tudo o que vem além da base citada seria variação do toque criado por seu pai.
A visão holística de Mestre Nenel permite afirmar que o toque de Benguela (com ‘e’) até existe, mas que não foi criado por Mestre Bimba. É uma mistura do toque de Angola com variações da Banguela, em que se permite tocar numa bateria (com três berimbaus), que foi denominada de Benguela.
Vale destacar que os toques da Capoeira Regional – Banguela, Idalina, São Bento Grande, Amazonas, Iúna, Santa Maria e o Hino - são tocados apenas em charanga: um berimbau e dois pandeiros.
A Capoeira é essencialmente dialética e dinâmica e por ser uma manifestação que se espalhou pelo mundo muito recentemente recebe milhares de análises em seus diversos aspectos – teórico, técnico, didático, tático, filosófico etc. - e cada uma delas baseada na realidade de cada norteador de um trabalho (entenda-se: Mestre, Professor, Instrutor etc.). Até aqui, vemos a fortaleza da Capoeira: a junção dos diversos pontos de vista que fazem com que ela não seja monopolizada em única verdade; e, sim, descentralizada em diversas faces de uma mesma manifestação. O que não é salutar é a imposição de uma verdade em detrimento de outra, gerando a perda de criatividade e a estabilização dos conhecimentos.
Desta forma, é difícil dizer que algo é errado na Capoeira. Como “condenar” (com risos, espanto etc.) o cidadão que fez uma chamada no toque de “Benguela” tocado numa bateria de Capoeira Angola? Eu prefiro deixá-lo com a sua verdade.


Inscrições no link: http://bit.ly/capoeiraregional


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Imersão em Capoeira Regional: Toque de Berimbau - Amazonas


            A Associação Capoeira na Escola passará a divulgar textos, vídeos e breves reflexões com o objetivo de instigar os questionamentos acerca da Capoeira Regional.
            Seguem abaixo algumas considerações sobre o toque de Amazonas.

- Em relação à origem do nome do toque, Mestre Nenel afirma que Mestre Bimba não deixou nada registrado e nem falava sobre as nomenclaturas que usava; mas, certamente, não foi uma homenagem ao Estado do Amazonas;
- Neste toque não há cantigas;
- Raramente era tocado, e as poucas vezes que Mestre Bimba tocava era para uma autossatisfação ou para jogo de capoeiristas veteranos, por ser um toque com uma cadência diferente, portanto, difícil de demonstrar uma harmonia entre jogadores e o ritmo;
- Não era toque exclusivo para jogo de formados (Iúna sim) e nem para recepção de convidados;
- Atualmente, há quem faça uso do toque para jogo com imitação dos movimentos dos animais da floresta amazônica, mas isso não faz parte do trabalho de Mestre Bimba;
- O toque do pandeiro é diferente dos demais toques da Capoeira Regional.



            Inscrições no link: http://bit.ly/capoeiraregional



sexta-feira, 14 de junho de 2019

Arraiá da Capoeira - 2019

A Associação Cultural Capoeira na Escola (ACCAES), em parceria com a Prefeitura Municipal de Biguaçu, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer (Secetul), realizará o anual “Arraiá da Capoeira”. Trata-se de uma ‘roda junina’ cujo objetivo é a confraternização entre os praticantes e a sociedade com direito a dança da quadrilha, maculelê, capoeira, recreação, comidas típicas e ensaio aberto do boi-de-mamão.
            Este ano, o “Arraiá da Capoeira” será realizado no Centro de Artes Marciais (CAM), no dia 15 de junho (sábado), a partir de 15h. Traga algo para ajudar a compor a mesa e venha a caráter.  
           A participação é livre.


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Imersão em Capoeira Regional: Centenário da obra de Mestre Bimba


Em 1918, Mestre Bimba começou a mostrar os primeiros traços de sua obra: a Capoeira Regional, considerada pronta por ele somente em 1928. Até então, a Capoeira era ensinada nas ruas, nos guetos, nos portos, nas festas de largo em que se aprendia olhando. Isso tudo em meio à proibição da prática prevista no código penal.
Já na época da ditadura oficial mais recente, em 1968, Mestre Bimba comemorava as cinco décadas de sua criação. Naquele momento, já havia testado e comprovado a sua metodologia em centenas de alunos; já havia lutado nos ringues para mostrar a eficácia de sua técnica; um disco com toques e cantigas já havia sido gravado por ele; Presidente do Brasil e Governador da Bahia já haviam assistido à Turma de Bimba se apresentar, e, graças a essas apresentações, a Capoeira foi descriminalizada. Portanto, de fato era necessário e justo comemorar o cinquentenário da Regional.
Por conta de Mestre Bimba, a Capoeira ganhou o mundo e se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade. Hoje, são mais de 150 países que possuem aulas, treinos e rodas das mais diferentes Capoeiras; no Brasil, em qualquer cidadezinha, de qualquer estado, há alguém jogando ao som do berimbau; mas tudo isso só é possível pela saída da Capoeira do código penal conquistada por Manoel dos Reis Machado, o Bimba. Logo, nada mais apropriado que se comemore o centenário da Capoeira Regional, a obra fantástica de Mestre Bimba.
De forma extensiva às comemorações já ocorridas em Salvador, a Associação Cultural Capoeira na Escola propõe o encontro “Imersão em Capoeira Regional”, a ser realizado nos dias 26 e 27 de julho, em Florianópolis (SC), no SESC da Prainha, e no Espaço Cultural Aruandê, na Armação do Pântano do Sul.
Programação e inscrições no link: http://bit.ly/capoeiraregional


sexta-feira, 7 de junho de 2019

Atualização 2019 06 07


Próximas atividades

            Amanhã (08/06) é dia de roda do Projeto Capoeira na Escola. Será às 15h, na praça da pista de skate (próxima ao campo do Biguá). Em caso de chuva, a roda será no Centro de Artes Marciais (CAM).
            Já no dia 15 de junho, acontecerá mais um “Arraiá da Capoeira”. A roda com trajes típicos de festa junina será realizada no CAM, às 15h. Também haverá comidas típicas, quadrilha, maculelê e ensaio aberto de boi-de-mamão.




sexta-feira, 17 de maio de 2019

Imersão em Capoeira Regional


       As informações sobre Capoeira Regional, mesmo depois de 100 anos de sua criação, ainda são escassas e muitas vezes contraditórias. Particularmente, aqui em Santa Catarina o quadro é ainda mais dificultado devido a distância física que ocorre com aqueles que foram discípulos de Mestre Bimba – portanto, detentores do saber - e também pelo fato de serem praticamente inexistentes os trabalhos de grupos ligados à verdadeira Capoeira Regional.
        Pelo exposto acima e também por considerar de grande relevância os estudos de todas as vertentes e linhagens da Capoeira é que a Associação Cultural Capoeira na Escola promoverá no mês de julho (26 e 27) o encontro “Imersão em Capoeira Regional”.
    Os ministrantes serão: Mestre Nenel, hoje personalidade mais importante no resgate, manutenção e transmissão dos conhecimentos legados de seu pai, o Mestre Bimba; e a Mestra Preguiça, primeira lenço branco da Filhos de Bimba Escola de Capoeira.
        Haverá lançamento de livro, bate-papo, rodas, treinamento dos toques de berimbau (Banguela, São Bento Grande, Iúna, Santa Maria, Idalina, Amazonas, Cavalaria e Hino), da sequência e da cintura desprezada, no SESC da Prainha, e ainda roda e Noite do Conto no Espaço Cultural Aruandê, no Pântano do Sul.
         Está chegando a hora de tirar as dúvidas sobre a herança cultural de Mestre Bimba e imergir na Capoeira Regional. As inscrições são abertas a qualquer capoeirista de qualquer região.
            Inscrições no link: http://bit.ly/capoeiraregional



quinta-feira, 16 de maio de 2019

Atualização 2019 05 16


Festival: O Pulo do Gato - Resultados

            Seguem resultados do evento ocorrido no último sábado (11/05).








Biguaçu comemora 186 anos

            Dentro das atividades de comemoração pelo aniversário do município de Biguaçu, o Projeto Capoeira na Escola fará apresentação na próxima sexta (17/05), às 14h, na Avenida Marcondes de Mattos.



quinta-feira, 9 de maio de 2019

Atualização 2019 05 09


Festival: O Pulo do Gato

            No próximo sábado, acontecerá a 14ª edição do Festival de Acrobacias: O Pulo do Gato. Trata-se de uma iniciativa que visa ao estímulo dos treinamentos das acrobacias de Capoeira. A Associação Cultural Capoeira na Escola aproveita o momento para tratar com os alunos sobre a Abolição da Escravidão e seus desdobramentos.
            Esta atividade faz parte do calendário das comemorações do aniversário de Biguaçu organizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer.




Encontro com o Historiador Peninha

            Quem é morador ou já passou pela Grande Florianópolis, certamente já ouviu as histórias das bruxas e outros seres folclóricos que fazem jus ao título de Ilha da Magia. A pessoa que foi a fundo nas pesquisas desse fascinante imaginário popular foi o lendário Franklin Cascaes. Entre seus discípulos, um dos mais conhecidos chama-se Gelci José Coelho, conhecido como Peninha.
            No próximo dia 18 de maio, integrantes da Associação Cultural Capoeira na Escola participarão de um encontro com o professor Peninha com o objetivo de aprofundamento sobre a cultura popular regionalizada, com destaque para o Boi de mamão e os contos e lendas.
            Na ocasião, Peninha autografará o seu livro “Narrativas absurdas: verdades contadas por um mentiroso”.
Conheça mais sobre o Peninha e Franklin Cascaes abaixo.











Reunião do Colegiado de Mestres

            O Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina fará reunião em Camboriú, no próximo dia 25, tendo como um dos objetivos a organização de um encontro de movimentos de Salvaguarda de Capoeira de diferentes regiões do país.
            Como trabalhos centrais dos anos anteriores, em 2017, o Colegiado organizou uma Formação Continuada para Educadores de Capoeira em parceria com o IPHAN e UFSC, e em 2018, foram realizadas reuniões abertas com temas diversos em várias cidades do estado.






quinta-feira, 11 de abril de 2019

Atualização 2019 04 11


Rodas

Convidamos os alunos (crianças, jovens e adultos) e familiares para a nossa roda de Capoeira que acontecerá no próximo sábado (13/04/19), na praça da pista de skate (perto do Campo do Biguá), às 15h. Em caso de chuva, a roda acontecerá no Centro de Artes Marciais, Biguaçu.
Já no dia 18 (próxima quinta), será a vez da tradicional Roda da Vela, que acontecerá na Associação dos Moradores do Bairro Tijuquinhas (Asmobati), às 20h, somente para jovens e adultos.