terça-feira, 19 de abril de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 04 18

Performance: Um beijo a Bolsonaro
            Renatha Lino encabeça a organização do evento de protesto pacífico contra as falas retrógradas homofóbicas e racistas do Deputado Jair Bolsonaro. Trata-se de uma performance que reunirá casais: inter-raciais, e gays e lésbicas, que beijar-se-ão durante um minuto, às 18h, junto com as badaladas do sino da Catedral de Florianópolis, no dia 13 de maio.
O Deputado Jair Bolsonaro tem disparado dezenas de declarações indigestas, como estas:
* "O filho começa a ficar assim meio ‘gayzinho’, leva um coro, ele muda o comportamento dele.";
* Sobre tortura: - "O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.";
* Afixou na sua porta, sobre os familiares dos desaparecidos na ditadura militar: "Quem procura osso é cachorro.";
* Em vídeo que causou sua denúncia pelo grupo ‘Tortura Nunca Mais’: "Nós não devíamos só torturar. Devíamos torturar e matar.";
* Sobre a ditadura militar: "20 anos de ordem e progresso. Sinto saudade da época do Médici; Geisel; Figueredo.";
* Racista, e contra as cotas raciais, diz que não seria operado por um médico cotista.
* Afirmou que os indígenas, supostamente não "educados" e "não falantes de nossa língua", não deveriam ter direito a uma tão grande porção de terra;
* Segundo o Deputado Gilson Cardoso, Bolsonaro é contra a Lei Maria da Penha, que busca acabar com a violência doméstica contra mulheres. 

Prêmio: “Viva meu Mestre”
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC)  divulgou a relação dos habilitados no edital Prêmio Viva Meu Mestre – Edição 2010. 152 iniciativas foram habilitadas do total de 175 inscritos. Serão concedidos 100 prêmios, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para cada premiado.
O Prêmio Viva Meu Mestre é uma política de reconhecimento e valorização dos “patrimônios vivos” e proporcionará uma ampla visibilidade na sociedade brasileira de uma expressão cultural reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil. O objetivo primeiro do prêmio está integrado ao Programa de Salvaguarda e Incentivo à Capoeira – Pró – Capoeira e visa o reconhecimento, valorização e divulgação dos mestres que tenham larga experiência acumulada na prática e transmissão dos saberes sobre a capoeira, desempenham ou desempenharam papel fundamental em suas comunidades e se dedicaram a manter vivo esse patrimônio nacional.
Os Mestres: João Pequeno de Pastinha; Boca Rica; Pelé da Bomba; Nestor; são alguns dos inscritos habilitados.

Mais informações sobre ‘Quadra’
Mestre Cafuné (Bahia) acrescentou a seguinte informação à nota publicada na última coluna: “As quadras eram de domínio de toda a capoeira e outras manifestações como o Samba-de-roda, por exemplo. Mestre Bimba selecionou as que ele achou que ficariam melhores, ou que ele mais gostava, e aplicava ou cantava nas aberturas das rodas, transformando-se com o tempo numa tradição da Capoeira Regional.”.

Lembrete: Roda à luz de velas
Roda de Capoeira no Centro de Artes Marciais (CAM) com um clima diferente: iluminação à luz de velas.
Dia 21 de abril, às 19h, com direito a uma deliciosa canjica ao final. Participe.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 04 11

Roda da Vela
Mais uma ação que vem se tornando tradicional no Projeto Capoeira na Escola é a “Roda da Vela”. A ideia é tão somente proporcionar uma roda de Capoeira com um clima diferente, e para isso nada melhor do que a iluminação sendo à luz de velas.
Este ano, a roda acontecerá no dia 21 de abril, às 19h, com direito a uma deliciosa canjica ao final.

Dia do Índio
            O Dia do Índio foi reconhecido no Brasil pelo populista Presidente Getúlio Vargas. A data é uma referência ao 1º Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido no México em 1940.
            Em Biguaçu, a Semana Guarani era um evento marcante e que, inclusive, numa apresentação de Capoeira, deu origem à Semana Afro-Biguaçuense. Fica a dica desse resgate à municipalidade.

Curta-metragem
Está sendo produzido um curta-metragem na Grande Florianópolis sobre cultura popular em que os protagonistas serão crianças capoeiristas. Diogo Umbelino, o “Cheirosinho”, que hoje treina no Centro de Artes Marciais (CAM), foi um dos escolhidos e será o coadjuvante, personagem irmão da atriz principal. A estreia está prevista para junho de 2011.

Quadra
Cantiga específica da Capoeira Regional criada por Mestre Bimba, a Quadra é acompanhada por um berimbau e dois pandeiros (charanga). É formada por uma estrofe curta de no mínimo quatro versos. O conteúdo entoado pode variar de acordo com a criatividade do compositor, que pode fazer brincadeiras ou advertências; falar de lendas ou figuras importantes da Capoeira; e até fatos corriqueiros como a visita de um amigo em sua casa ou o porquê o vizinho ‘enricou’ e seu pai não, sendo esse trabalhador e religioso.
As Quadras são finalizadas com louvação e “Volta do mundo” - ou 'vorta', conforme linguajar popular de época – é a última frase e também a que dá início ao jogo da Capoeira Regional. Os toques de Berimbau: “São Bento Grande da Regional”; “Banguela” e “Idalina”, são os ideais para se cantar uma Quadra. Segue exemplo:


Ao ‘pé de mim’ tem um vizinho
Que ‘enricou’ sem trabalhar
Meu pai trabalhou tanto
Mas nunca pode ‘enricar’
Não deitava uma noite
Que deixasse de rezar
Ê, Volta do mundo
Ê, ê, Volta do mundo, camará.

Visita à Orionópolis
            No último sábado, aconteceu a visita das Instituições Bloco Liberdade e Associação Capoeira na Escola à obra social, de caráter filantrópico e Eclesial, criada pela Pequena Obra da Divina Providência (D. ORIONE) em 26 de outubro de 1987, a Orionópolis. A ação faz parte da proposta do Grupo de Estudos Mente Aberta (GEMA) como forma de conscientizar os jovens da importância dos trabalhos sociais. A roda de Capoeira levou instantes de muita alegria aos idosos, aos enfermos e às pessoas com deficiência.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 04 04

Zilda Arns indicada ao Prêmio Nobel da Paz

            Meta menos ação é igual a nada. Esse cálculo nunca serviu para a missionária pediatra Zilda Arns, a brasileira falecida no terremoto de janeiro de 2010 no Haití. A Câmara dos Deputados do Brasil está em mobilização para, enfim, dar o prosseguimento à indicação de Zilda para o Prêmio Nobel da Paz.
A criadora da Pastoral da Criança - entidade que já atendeu mais de dois milhões de crianças em situação de risco social – dará ao Brasil a possibilidade de ter um representante na gloriosa lista do prêmio formada por: Martin Luther King Jr; Madre Teresa de Calcutá; Nelson Mandela; Desmond Tutu; Kofi Annan; Barack Obama, entre outros.

43 anos sem Luther King Jr

Martin Luther King Jr. (15 de janeiro de 1929 — 04 de abril de 1968) foi um pastor protestante e ativista político estado-unidense. Tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo. Ele foi a pessoa mais jovem a receber o Prémio Nobel da Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato.

O exemplo José Alencar

            Jogadores de Futebol que se envolvem em escândalos (assassinatos, tráfico de drogas, prostituição e etc.); Campeões de shows de realidade (?); Grupos musicais descartáveis; Políticos que escondem dinheiro na meia e na cueca, etc.: em tempos de tantas referências negativas, a morte de José Alencar é algo entristecedor pela carência de bons exemplos de vulto nacional.
            Mas, aliada aos grandes atos como político e empresário, vale destacar a sua simplicidade perante a morte, parafraseando até mesmo músicas de Nelson Cavaquinho, “Quando eu me chamar Saudade” e “A Flor e o Espinho”, e sintetizando assim a sua humildade devido às letras oportunas e cheias de sabedoria.

Caso Deputado Bolsonaro

O presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Eloi Ferreira de Araujo, encaminhou ao Procurador-Geral da República o pedido de providências em relação às declarações de Jair Bolsonaro contra a população afro-brasileira, dadas no dia 28/03 a um programa humorístico.
Dentre outras ofensas, o parlamentar, respondendo a uma pergunta da cantora Preta Gil sobre o que faria se o filho se apaixonasse por uma negra, respondeu que “não iria discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”. Questionado, ainda, sobre cotas raciais, o político disse que “não entraria em um avião pilotado por um cotista, nem aceitaria ser operado por um médico cotista”. As palavras do deputado tiveram grande repercussão nas mídias sociais, provocando a reação de várias organizações de defesa dos direitos humanos e da população negra – entre elas, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Fundação Cultural Palmares (FCP).

Fala Capoeira

            Chegando a um determinado estágio de graduação, o capoeirista passa a ser um representante e porta-voz da cultura negra. Por esse motivo é que a coluna não se restringe a conteúdos específicos da Capoeira, já que o Projeto Capoeira na Escola abraça a missão de tratar de assuntos diversos, tais como: racismo; líderes negros; leis; ações afirmativas; artes; literatura, etc., por entender a importância dessa representação. Afinal, “Capoeira é tudo que a boca come”, como dizia Mestre Pastinha.



terça-feira, 29 de março de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 03 28

Revolta dos Búzios

A presidenta Dilma Rousseff sancionou, em quatro de março último, a Lei 12.391, que determina a inscrição dos nomes dos líderes da Revolta de Búzios no Livro de Aço dos Heróis Nacionais - exposto permanentemente no Panteão da Pátria e da Liberdade, localizado no Eixo Monumental, Praça dos Três Poderes, na capital do Brasil -. Enforcados em praça pública, João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas de Amorim Torres, Manuel Faustino Santos Lira e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga são símbolos do movimento que reviu os ideais de liberdade e igualdade no País.
A Revolta ocorreu em 1798, época em que os princípios iluministas e a independência dos Estados Unidos influenciavam fortemente os ideais libertários dos brasileiros, que contrastavam com a precária condição de vida do povo negro. O grande diferencial do movimento foi a articulação de grupos mais pobres da população baiana para defender propostas que realmente os representassem.

Conheça os heróis da Revolta dos Búzios


João de Deus do Nascimento (1761 – 1799)
Filho de mulata alforriada com português, João de Deus nasceu em Salvador. Inconformado com a situação de miséria da colônia, participou de reuniões secretas, juntamente com estudantes, comerciantes, intelectuais, soldados e artesãos. Ao tomar conhecimento da Revolução Francesa, passou a discutir os ideais liberais e as possibilidades de sua aplicação no Brasil.
Lucas Dantas de Amorim Torres (1775 – 1799)
Pardo, escravo liberto, soldado e marceneiro, Lucas Dantas foi o responsável pela reunião de representantes das mais diversas classes sociais para debater sobre a liberdade e a independência do povo baiano.
Manuel Faustino Santos Lira (1781 – 1799)
Filho de escrava liberta e pai desconhecido, Manuel Lira também nasceu em Salvador. Foi um dos primeiros suspeitos pela autoria de panfletos anônimos que conclamavam a população a defender a “República Bahiense”.
Luís Gonzaga das Virgens e Veiga (1763 – 1799)
Soldado, negro, Luís Gonzaga das Virgens e Veiga era o mais letrado entre os líderes da revolta. Descendia de portugueses e crioulos. Sentiu e expressou o sentimento de revolta contra o preconceito de cor dominante no seu tempo. Foi autor do mais polêmico manifesto feito durante o movimento.

Orientações de Mestre Bimba

*Gingar sempre;
*Esquivar sempre;
*Jogar sempre próximo ao parceiro;
*Todos os movimentos devem ter objetivo;
*Conservar, no mínimo, uma base no solo;
*Obedecer ao ritmo do berimbau;
*Respeitar as guardas vencidas; e
*Zelar pela integridade física e moral do outro jogador.

História da África

Está disponível no site da UNESCO (unesco.org.br) o download da coleção sobre História da África em Português. São oito capítulos que dissertam sobre o continente de origem da humanidade desde a sua pré-história até aos dias atuais.

terça-feira, 22 de março de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 03 21

Obama e a Capoeira

            Comprovadamente, a Capoeira é uma grande embaixadora do Brasil. As crianças da Cidade de Deus, comunidade carioca, transferiram muita emoção na recepção à família Obama, e em troca elevaram suas autoestimas ao ponto de aquela apresentação ser crucial para a definição de seus futuros. E a Capoeira é o eixo.

O Crime de Sharpeville

(...) Há 51 anos (21 de março), 69 crianças, mulheres e homens negros foram assassinados em praça pública pelo exército sul-africano no bairro de Sharpeville, na cidade de Johannesburgo. Motivo: terem saído às ruas, pacificamente, para reivindicar a extinção da Lei do Passe, que os obrigava a portar cartões de identificação com o registro dos locais por onde lhes era permitido circular. ‘O Massacre de Sharpeville’ motivou a instituição do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, pela Organização das Nações Unidas (ONU). Uma data que o Brasil, a maior Diáspora Africana do continente americano, tem razões, infelizmente, para relembrar.
O Governo Brasileiro, em articulação com a sociedade civil organizada, tem dado passos largos para desestabilizar a mentalidade que constrói tragédias como a de Sharpeville. As políticas de ações afirmativas, que elevaram consideravelmente o número de negros e negras nas universidades públicas, e a sanção do Estatuto da Igualdade Racial, marco histórico para a construção da igualdade de oportunidades entre negros e não-negros, são dois dos mais recentes passos da política de inclusão para o acesso aos bens econômicos e culturais do País. (...)
O caldo de cultura que baseia ataques racistas à identidade de descendentes de africanos está, sem sombra de dúvida, entrelaçado com o perfil dominante das mortes violentas no País, que vitimam, em sua maioria, jovens negros, segundo estudos sobre violência urbana da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O mesmo caldo que motivou o assassinato dos jovens sul-africanos. (...).

* Trecho do artigo de Elói Ferreira de Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares, publicado originalmente no Correio Braziliense, sob o título: “O crime de Sharpeville”.

Racismo Científico*

          No século XIX, com o colapso previsível da escravidão, preocuparam-se as elites em dissolver o regime servil sem comprometer as estruturas produtivas, baseadas na monocultura e no latifúndio. Refletiam também, sobre como lidar com o fim de uma sociedade em que as hierarquias sociais estavam firmemente assentadas no estatuto de pureza de sangue e na escravidão, que excluíam da cidadania todos os não-europeus, aqueles que não se auto consideravam brancos, fidalgos, católicos, ricos e seus agregados.  
          Com o auxílio das ciências, a solução deste dilema deu-se através da racialização do diferente. Afirma Liliam Schwarcz que foi a partir do Instituto Politécnico, Museus Etnográficos, Faculdades de Medicina e de Direito que começou a ser difundido no país o racismo científico de Lapouge, Lambroso e Gobineau.
            O problema-negro deixava de significar a superação da escravidão para se tornar a remoção de um obstáculo ao progresso e a civilização da nação brasileira.
            Nesta visão, ‘Raça’ deixou de estar relacionada à fé e a família para ser um instrumento de classificação de espécie, em especial dos seres humanos, tendo como fundamento a biologia (Schwarcz, 1993).

Trecho da Monografia de Fernando Bueno:
 “A Origem da Capoeira em Florianópolis” (1997).

terça-feira, 15 de março de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 03 14

Bantu
           
Quando os pesquisadores afirmam que os Bantus foram a maior população de negros vindos para o Brasil fica faltando em grande parte das explanações a especificação geográfica e cultural dessa população. Bantu é um grupo etnolinguistico subsaariano (abaixo do Deserto do Saara) com mais de quatrocentas subdivisões.
            Segundo o pesquisador Nei Lopes, a palavra ‘BANTU’ é composta por ‘NTU’, que quer dizer ‘pessoa’; e ‘BA’, que quer dizer ‘coletivo’, ‘plural’. Logo, BANTU significa ‘coletivo de pessoas’, ‘população’, ‘grupo de características semelhantes’.

Fundação Palmares

O novo Presidente da Fundação Palmares é Elói Ferreira de Araújo, ex-titular da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). A nomeação foi publicada no Diário Oficial (02/03) para a substituição de Zulu Araújo, que deixa o cargo após oito anos de Fundação Palmares, quatro dos quais como Presidente.

Conselho Estadual das Populações Afrodescendentes (CEPA)

O  Cepa é um órgão colegiado, de caráter permanente, com a participação do governo e sociedade civil, com finalidade de promover a igualdade, a participação e elaboração de políticas públicas de promoção, desenvolvimento e a defesa dos direitos humanos, garantindo o exercício da cidadania das populações negras no Estado.
As discussões para a criação do Conselho Estadual das Populações Afrodescendentes tiveram início no segundo semestre de 2000, sendo sua criação consolidada em 2001 como parte comemorativa do centenário de Antonieta de Barros.
Entendendo que as discussões deveriam ser realizadas no interior das entidades do movimento social negro, a Associação de Mulheres Negras Antonieta de Barros mobilizou o Fórum das Entidades Negras de Santa Catarina que, em reunião realizada no Centro de Ciências da Educação - FAED/UDESC deliberou por participar, junto à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania na elaboração da minuta de criação do Conselho.
Esta participação se concretizou com a realização de grupos de trabalho em reuniões periódicas culminando com a produção de documentos fundadores do texto final. O Conselho foi criado pela lei 11.718 de 16 de maio de 2001.
No dia 10 de março, ocorreu nova eleição para a Diretoria do CEPA e a Associação Cultural Capoeira na Escola está representada por Dagmar Pereira assumindo o cargo de 1ª Secretária do Conselho. A solenidade de posse será na Assembleia Legislativa em data a ser informada.

Aniversário do Projeto Capoeira na Escola
           
No ultimo sábado, o Projeto Capoeira na Escola comemorou os quinze anos de atuação em Biguaçu. A chuva diminuiu o número de participantes, mas o clima do Centro Cultural Casarão Born fez com que a roda fosse das mais animadas. Após o lanche coletivo, a comemoração fechou em alto estilo ao som (violão e voz) de Neném Maravilha. Parabéns a todos que fizeram e fazem parte dessa história de sucesso.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Breve reflexão sobre os resultados dos grandes carnavais do Brasil

Quando eu me chamar Saudade

Roberto Carlos no Rio de Janeiro e o Maestro João Carlos Martins em São Paulo: até que enfim, o Brasil começa a homenagear seus destaques positivos ainda em vida.
Sobre o Maestro, sua vida pela música é fascinante; seu exemplo de superação aos obstáculos; seu trabalho social na Fundação Bachiana – que atende crianças e jovens em situação de risco social em São Paulo – fazem qualquer um se emocionar. Já o cantor e compositor Roberto Carlos encanta gerações mundo a fora e mereceu o enredo. Obviamente, tendo a Globo, canal que produz o especial de fim de ano com as mesmas músicas durante anos, como uma das grandes patrocinadoras do Carnaval do Rio de Janeiro, seria garantida uma ‘atenção especial’ dos jurados.
Mantendo a regra de homenagens pós-morte, outro grande destaque foi Nelson Cavaquinho, sambista da melhor qualidade que já previra homenagens depois de sua partida (segue letra abaixo). Pelo samba-enredo da Mangueira; pela obra de Nelson Cavaquinho; pela comissão de frente inovadora com os malandros realizando saltos de “Le Parkour” na favela cenário, é que considero - ciente de minha utopia - que um empate com a Beija-flor tornaria ainda mais justa a valorização dos ídolos brasileiros.

Sei que amanhã quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro, um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora
‘Me dê’ as flores em vida
O carinho, a mão amiga
Para aliviar meus ‘ais’
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais.

Música: Quando eu me chamar Saudade
Autor: Nelson Cavaquinho

terça-feira, 1 de março de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 02 28

Etnorracial e Étnico-racial
Ocorre uma confusão por conta da reforma ortográfica em relação às expressões ‘etnorracial’ e ‘étnico-racial’. Assim, fomos pesquisar para repassar a informação correta.
A palavra ‘Etno’ não tem valor quando escrita sozinha, ou seja, é somente um prefixo. Por isso, a palavra ‘etnorracial’ é escrita desta forma, já que sua subsequente inicia-se com ‘r’. Caso iniciasse com ‘h’, usar-se-ia o hífen.
Já a expressão ‘étnico-racial’, mesmo com a reforma ortográfica, permanece com hífen, pois é regida pela regra dos compostos comuns, ou seja, são dois adjetivos e, portanto, devem ser escritos separados e com hífen.

Senador Magno Malta
            Num discurso no Senado, o Senador Magno Malta (Espirito Santo) enalteceu a importância das lutas como ferramenta contra as drogas e as bebidas alcoólicas. Falou com propriedade dos lutadores brasileiros de expressão internacional que não recebem a valorização devida em seu próprio país. Aproveitou para rechaçar as frequentes propagandas de cerveja com jogadores de futebol e, inclusive, o técnico da seleção, afirmando ser uma atitude gananciosa e de referência negativa aos jovens.
Por fim, soltou a pérola abaixo, como retrato de sua personalidade de lutador que fez com que chegasse ao Senado Brasileiro:
“O medo eu conheço só de nome, pois nunca alguém me apresentou.”

Ziraldo e Bloco de Carnaval causam polêmica
O bloco carnavalesco "Que m. é essa?" (Rio de Janeiro) assumiu uma posição política bastante questionável neste carnaval. O bloco faz galhofa e questiona junto com Ziraldo o parecer do CNE - Conselho Nacional de Educação - contra expressões racistas do escritor Monteiro Lobato nos livros infantis. Em represália, Ziraldo desenhou para o bloco uma camiseta em que Lobato está abraçado a uma mulher negra. Questionado em entrevista, Ziraldo disse: "A gente pratica um racismo sem ódio".
A escritora Ana Maria Gonçalves, autora de "Um defeito de cor", não gostou nem um pouco da declaração de Ziraldo. E muito menos do tema escolhido pelo Bloco para o carnaval deste ano. Em carta aberta ao cartunista, postada num blog, Ana Maria mostrou seu descontentamento com o tema:
"A gente quem, Ziraldo? Para quem você se (auto) justifica? Quem te disse que racismo sem ódio, mesmo aquele com o "humor negro" de unir uma mulata a quem grande ódio teve por ela e pelo que ela representava, não é racismo? Monteiro Lobato, sempre que se referiu a negros e mulatos, foi com ódio, com desprezo, com a certeza da própria superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje", diz um dos trechos da carta.
Em 1928 Monteiro Lobato lamentou que os brancos brasileiros não tivessem capacidade de fundar aqui uma Ku Klux Klan.
Um grupo de cidadãos antiracistas está se mobilizando para protestar contra essa afronta travestida de alegria carnavalesca ao longo do trajeto do bloco no próximo sábado em Ipanema, Rio de Janeiro.

Aniversário do Projeto Capoeira na Escola
No dia 11 de março, o Projeto Capoeira na Escola completa 15 anos de atuação em Biguaçu. A comemoração será na Praça Central no dia 12 de março (sábado) com roda e lanche comunitário, às 10h.

GEMA
Parabéns ao Bloco Liberdade - professores Marcos Canetta e Marcos Moita - pela criação de seu Grupo de Estudos Mente Aberta (GEMA). O eixo é capacitar os jovens para o enfrentamento aos obstáculos da desigualdade social através da articulação ideológica.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Coluna Fala Capoeira 2011 02 21

Atriz
As rodas perdem uma grande Capoeira... O céu ganha mais uma estrela.
Com pesar, informo o falecimento de Jandira, conhecida como Atriz devido a suas atuações emocionantes nas apresentações da puxada de rede.
Jandira era tão amante de esporte que, como numa previsão, pedira para ser levada a um Ginásio quando partisse. Deixa saudades e lembranças muito boas, como a de sua pastinha com recortes de jornal sobre Capoeira; como os jogos tentando derrubar os demais; como o seu belo Aú; como o seu carisma que a fez querida por todos.
Invertendo os papéis, hoje me sinto um Pedro chorando por você. Esteja com Deus, Atriz.

Roda da Madrugada
            Após alguns adiamentos por conta das chuvas, aconteceu, enfim, a tão aguardada Roda da Madrugada - 2011. A Praia do Luz (Imbituba) foi o palco de uma noite de muita riqueza cultural: Maculelê, Puxada de Rede, Samba de Roda, Percussão, Dança Afro, Música Negra, e muita Capoeira, tornaram a noite inesquecível. Segue depoimento do graduado Juba, que pela primeira vez participou da roda.
“Ansiedade, tensão, empolgação... Chegou a lua cheia e com ela a mudança do tempo. As mãos e os pés são as ferramentas que misturam a terra e o ar à luz dos lampiões e sob a vigilância lunar constante. No quintal da ‘Mãe D’água’ as energias se fundem: maculelê, danças africanas, capoeira, músicas do cenário nacional... A nota solta do berimbau é o aviso de que a África toma forma nos jogos cadenciados exalando “malandragem”. O ritmo sobe e abençoa-nos com a chegada do São Bento Grande; força, velocidade e destreza para os guerreiros que presenciam a lenta mudança de cores no firmamento. E da Bahia, Mestre Bimba junta-se para cadenciar novamente o ritmo com o jogo da Regional. O lilás no horizonte marca o momento de puxarmos a rede, agradecendo ao Todo as graças recebidas. Missão cumprida. As notas musicais incessantes desde o princípio foram as testemunhas de mais uma Roda da Madrugada. Axé.”

Inscrições abertas
As inscrições para as aulas de Capoeira estão abertas. As aulas acontecerão nas seguintes escolas: Roldão, Ruth Reis, Maria de Lourdes Scherer, Joaquim Cardoso, REPAM, APAE, Viegas, e - para as demais escolas – no Centro de Artes Marciais (CAM). O início dos treinamentos será no dia 01 de março.
Os interessados podem entrar em contato nos seguintes telefones:
(48) 3285 3020 – SOL
(48) 9613 2189 – Mestre Tuti
(48) 9927 4433 – Professor Cabrito
(48) 9932 3568 – Instrutor Pedra
           

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Calendário Projeto Capoeira na Escola

·      Fevereiro – Roda da Madrugada (19)
·      Março – Reinício das Rodas de Rua e 15° Aniversário do Projeto (12) + Jornal 19 = anúncio; Publicação em Abril
·      Abril - Roda da Vela (21)
·      Maio - 6° Festival “O Pulo do Gato” (14)
·      JunhoArraiá da Capoeira
·      Julho Noite do Conto (23)
·      Agosto Festival de Cantigas
·      Setembro
- Desfiles Cívicos
- Campeonato “Jogo de Ouro” (Olimprocasa)
·      Outubro
- Semana do Saci e Batismos Escolares em São José (24 a 31)
- Jornal n° 20 – anúncio. Publicação em Novembro
·      Novembro
- Exame de Graduados (05)
- Semana Afro-Biguaçuense + Intercâmbio Nacional de Capoeira (21 a 27)
·      Dezembro
- Dia Nacional do Samba (02)
- Confraternizações e encerramentos (15)
- Natal da Esperança (24)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Coluna Fala Capoeira 14 02 2011

Destaques Negros



O Bloco Liberdade convida a todos para a 18ª Edição do Troféu Destaques da Raça Negra. O evento premia as personalidades que se destacaram em ações afrodescendentes na Grande Florianópolis. Em 2010, a entrega aconteceu no Casarão Born, Biguaçu, mostrando o respeito à diversidade etnorracial da municipalidade, que apoiou de todas as formas possíveis o intento. Sucesso, diga-se de passagem, contando com a presença de diversas personalidades do movimento negro, autoridades locais e da Senadora Ideli Salvatti.
Este ano, mantendo sua característica itinerante, o evento acontecerá no Restaurante Praça 11, São José (em frente ao Supermercado Bistek – Praia Comprida), às 20h da próxima sexta-feira (18/02). A entrada é franca.

Identidade

            Estive no show do Grupo Revelação no dia 05 de fevereiro em Floripa, e, de lá para cá, um ponto de interrogação ficou em minha mente: o que faz um grupo musical ou artista solo perder, total ou parcialmente, a sua identidade?
            Em 2002, estivemos (Rosa, Gafanhoto, Clone e Corcel) no Rio de Janeiro e trouxemos o CD do grupo em questão. Era um sucesso por lá que ainda não havia se espalhado pelo Brasil, mas que, pela qualidade da banda, era uma questão de tempo acontecer. O Revelação era até apelidado de “novo Fundo de Quintal”, numa alusão ao mais tradicional grupo de samba do mundo. As músicas eram muito melódicas; os arranjos diferentes; o cavaquinho, o banjo e o violão apareciam nitidamente em oposição aos teclados e guitarras dos “pagodeiros”.
Hoje, o grupo ainda mantém parte de seu perfil inicial, mas as composições estão mais comerciais, com os “laiás-laiás” da vida e as rimas fáceis, e o que me levou à indagação foi ouvir e ver a banda cantando Ivete Sangalo, Margareth Menezes e Claudia Leitte, ou seja, faltou personalidade; a mesma que faltou ao Exaltasamba quando começou a cantar em seus shows (pasmo) até mesmo o rap do Tropa de Elite e Lulu Santos. Essas posturas combinam com bandas que tocam em formaturas!
            Confirmar que ‘Dinheiro’ responde ao questionamento tema faz com que me aprofunde em Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Nelson Sargento. “Tempos idos...”

Falando em Nelson Sargento
Samba,
Agoniza, mas não morre,
Alguém sempre te socorre,
Antes do suspiro derradeiro.
Samba,
Negro, forte, destemido,
Foi duramente perseguido,
Na esquina, no botequim, no terreiro.
Samba,
Inocente, pé-no-chão,
A fidalguia do salão,
Te abraçou, te envolveu,
Mudaram toda a sua estrutura,
Te impuseram outra cultura,
E você nem percebeu,
Mudaram toda a sua estrutura,
Te impuseram outra cultura,
E você nem percebeu.
Música: Agoniza, mas não morre.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Fala Capoeira 07 02 2011

S.R 17 de Maio
           
Infelizmente, registro o término da aplicação do Projeto Capoeira na Escola na S.R 17 de Maio. Foram quase quinze anos - 11 de março de 1996 – que fizeram com que aquele espaço fosse consolidado como um dos locais com maior tempo de prática cultural tendo como eixo a Capoeira em Santa Catarina. Por ali passaram grandes Mestres, verdadeiras enciclopédias da cultura negra: João Pequeno, Gildo Alfinete, Vuê, Ciro, Boa Gente, Toni Vargas, Pele do Tonél, Nenel, Xaréu, Cafuné, Boinha, Piloto, Mudinho, Pé-de-Chumbo, Boca Rica; sempre em sintonia com as centenas de crianças, adultos (inclusas as pessoas com deficiência) e idosos.
O desespero da busca por soluções para sanar as dívidas do imóvel, fez com que a gestão atual aumentasse em duzentos porcento (200%) a locação pensando em ser essa a saída para as mazelas herdadas. Sendo assim, ficou inviável a continuidade da prática de Capoeira, única ação cultural contínua, até que a Sociedade Recreativa se reestabilize economicamente e que se entenda - essa ou uma nova gestão - a grandeza da movimentação cultural ali já eternizada.

Preto-Velho

Cafundó é um filme inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo (Lázaro Ramos), deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele. Esse choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele abandona-se nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam a magia de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã. Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé. Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontra-se a sua imagem, o Preto Velho João de Camargo.


Roda em Palmas
           
No próximo sábado (12/02), haverá mais uma roda do Projeto Capoeira na Escola na Praia de Palmas (Gov. Celso Ramos). Será às 17h.


Aulas em Biguaçu
           
A Associação Cultural Capoeira na Escola informa que está em trâmite o convênio para a aplicação das aulas de Capoeira no município. Assim que a situação se defina, os educadores do Projeto e a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, farão a divulgação nas escolas juntamente com as inscrições para o reinício das atividades. Mais informações: (48) 9613 2189 ou 3285 3020.