terça-feira, 3 de abril de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 04 04

Os “Tigres”

            No início do século XIX, o Brasil não possuía sistema algum de tratamento dos resíduos das casas. No Rio de Janeiro, viajantes descreviam a situação como deplorável: eram ratos aos milhares; fezes e urina jogadas pela janela sem preocupação com quem passasse por baixo; muita proliferação de insetos e ainda o calor enorme. O cenário perfeito para a propagação de inúmeras doenças. Os “cientistas” da época não permitiam nem o uso de fossa, pois afirmavam que o lençol freático era muito próximo e poderia ser contaminado.
            A única opção era jogar os resíduos no mar, tarefa que, obviamente, sobrara aos cativos. Latas enormes eram carregadas e por vezes derramavam sobras dos excrementos nas próprias costas. A ureia e a amônia, contidas na urina, em contato com o sol, produziam marcas malhadas nos corpos de tal modo que os negros impostos nessa função recebiam o apelido de “Tigres”.
            Há relatos de atividade dos “Tigres” até 1860, no Rio de Janeiro, e até 1882, no Recife, e isso é argumento para alguns estudiosos que tentam justificar a demora da instalação das redes de saneamento no litoral brasileiro.
           
Língua Brasileira

            Um dos motivos da Língua Portuguesa de Portugal ser muito diferente da Língua Portuguesa do Brasil é o fato de aqui ter acontecido um confronto entre o idioma europeu com as línguas bantas e indígenas.
            A professora Yeda Castro, pesquisadora do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros em Línguas e Culturas da Universidade do Estado da Bahia, assinala algumas características marcantes dessa influência: a pronúncia rica em vogais (ri.ti.mo, a.di.vo.ga.do); a nossa sintaxe – tendência a não marcar o plural do substantivo (os menino, as casa, dez hora); a dupla negação (não quero não); o emprego preferencial da próclise (me dê, eu te disse); e a troca de palavras usadas em Portugal pelas usadas nas tribos e aldeias africanas ou indígenas, tais quais usamos: “Caçula”, em alusão ao filho mais novo em vez de “Benjamim”; “Capenga” por “Coxo”; “Cachaça” em vez do europeu “Aguardente”; “Cochilar” por “Dormitar”; “Xingar” por “Insultar”; “Dengo” por “Mimo”; “Marimbondo” por “Vespa”, entre outras.
Fica a dica do livro da Professora Yeda Pessoa de Castro: Falares Africanos na Bahia (ABL/TOPBOOKS.2001).


Roda da Vela

            Não esqueçam: amanhã (05/04) acontecerá a Roda da Vela no Centro de Artes Marciais (CAM). Será às 20h. Cada participante deverá trazer uma vela e um recipiente (pires). Após a roda, haverá distribuição de canjica.
            O intuito é, tão somente, jogar Capoeira num clima diferente e rústico. O jogo das sombras nas paredes também contribui para a formação de um cenário inesquecível. Participe!

terça-feira, 27 de março de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 03 28

A culpa sempre é do morro

            Sequestros relâmpagos; explosões em caixas eletrônicos; estupros e etc.; esse cenário atual da Grande Florianópolis suscitou o debate no principal noticiário da televisão. Especialistas em segurança pública, ex-esportistas e as chefias do poder público (prefeituras e polícias), comentam sobre o que gera tanta violência.
            O senso comum desses comentaristas baseia-se em dois pontos: o primeiro é a afirmação de que com a propagação da qualidade de vida existente em Florianópolis através da imprensa muitas pessoas mal intencionadas vieram morar aqui - detalhe enfatizado por ambos: nos morros! -; o segundo ponto é o de que o efetivo policial é insuficiente para combater o tráfico de drogas – novamente - nos morros, fator motivacional da escalada da violência.
            Após a “Abolição da Escravidão”, o morro e as margens da cidade (daí a palavra ‘marginalização’) foram os locais de moradia que sobraram aos ex-cativos. Desde essa época, é comum ouvir a transferência de responsabilidade dos efeitos colaterais da discrepância social aos menos favorecidos.
Será que todos os que vêm morar aqui na Grande Florianópolis são criminosos e vão morar nos morros? É óbvio que existe tráfico no morro e nas comunidades carentes, principalmente porque muitos moradores do asfalto (classes mais altas) vão lá comprar, mas as incursões policiais devem ser feitas somente nos locais dos que oferecem ou também em Jurerê Internacional e no Bosque das Mansões com as várias festas regadas à cocaína e maconha?
Por fim, não será somente com o aumento do efetivo policial que os problemas da violência serão resolvidos, assim como a culpa não deve ser só do morro, mas de toda a sociedade que contribui para a desigualdade. O combate à corrupção é um grande passo e a Educação é outro, mas como falar em Educação num País em que o piso salarial da classe é R$ 1.451,00 por 40 horas de trabalho semanal?

A Gangue das Loiras

            Mulheres acima de qualquer suspeita - bem arrumadas; maquiadas; perfumadas; entre 20 e 30 anos de idade; aparentando ser da classe média -, muito longe do estereótipo do criminoso, aterrorizam a cidade de São Paulo. São mais de cinquenta sequestros e uma infinidade de assaltos em estacionamentos de shoppings e arrastões em condomínios de luxo.
            Devem morar nos morros de Floripa...

Próximas atividades

·         Roda na Avenida Beiramar de São José e Aniversário do Instrutor Chuveiro, às 16h, sábado (31/03);
·         Roda da Vela, dia 05/03/2012, às 20h (CAM). O jogo à luz de vela gera um clima singular e rústico, lembrando as senzalas de outrora. Haverá distribuição de canjica.
           

terça-feira, 20 de março de 2012

Eu já joguei Capoeira...

Coluna Fala Capoeira 2012 03 21

Inversão de valores

            Este caso aconteceu em Curitiba (PR): uma senhora de 84 anos pediu para que um parente atualizasse os valores, anotados numa caderneta, de uma dívida contraída há 50 anos, pois gostaria de pagar. Localizou o credor e, enfim, pagou cento e cinquenta reais.
            O que me inquieta são os comentários desse fato quando afirmam que a atitude da devedora é uma prova de que ainda existem pessoas honestas no mundo.
Dever por 50 anos é sinal de honestidade?
Lembrei-me de uma frase de Mestre Pastinha:
“Pratico a verdadeira Capoeira Angola e aqui
os homens aprendem a ser leais e justos.
A lei de Angola que herdei de meus avós é a lei da lealdade (...)”

Calouro

Provando que a deficiência pode ser um limitador, mas nunca um sinônimo de incapacidade, Gabriel Nogueira conseguiu entrar na Faculdade de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (RS).
Gabriel tem síndrome de Down, mas o afeto familiar e a inserção no ensino regular fizeram dele um vencedor e um grande exemplo para a sociedade. O agora calouro tem 24 anos, é faixa-preta de Taekwondo e namora há dois anos.

Dia de Luta Contra a Discriminação Racial

Hoje, 21 de março, é mais um dia de recordação do Massacre de Shaperville (África do Sul). Em 1960, vinte mil pessoas protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão para poder transitar em locais pré-determinados. A polícia abriu fogo nos civis protestantes e desarmados, matou 69 e feriu outros 186.
A propósito, o Indiano líder pacifista, Gandhi, teve um entrave com essa mesma polícia sobre o uso do passe. A cena forte está no filme sobre sua biografia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou o 21 de Março como o Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial.

Roda: “Eu já joguei Capoeira...”

Em algum momento, nos 16 anos do Projeto Capoeira na Escola em Biguaçu, você ajudou a construir essa história. Talvez tenha sido:
- na S.R 17 de Maio, local do começo de tudo;
- nas idas às rodas de sexta-feira à noite, em Floripa;
- nas Rodas da Madrugada;
- nas buscas de verga em Luas minguantes;
- nas rodas na Praça e na conquista do concreto polido em forma de círculo;
- na gravação de nosso CD e na publicação de nosso livreto;
- numa das idas ao Rio de Janeiro ou à Bahia;
- na presença de grandes Mestres, como: João Pequeno, Pelé do Tonel, Gildo Alfinete, Nenel, Boinha, Cafuné, Vuê, Mudinho, Pé-de-Chumbo, Ciro e tantos outros; ou, talvez, em todos esses e muitos outros momentos.
            Em busca de rever os escritores da pequena e bela história da Capoeira em Biguaçu é que a Associação Cultural Capoeira na Escola convida-o para a Roda: “Eu já joguei Capoeira...”
Será no Centro Cultural Casarão Born (Centro-Biguaçu), às 19h do próximo sábado (24/03).

terça-feira, 13 de março de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 03 14

Direito à consulta

            Está acontecendo em Brasília o encontro para a determinação das diretrizes para aplicação no Brasil da Convenção 169, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa convenção trata da atribuição do direito de serem consultadas as tribos indígenas e aldeias quilombolas e de remanescentes quando da elaboração de políticas públicas que as tenham como meta.
Ante tarde do que nunca, a partir de agora, são reconhecidas as aspirações das comunidades tradicionais em assumir o controle de suas próprias instituições, formas de vida e desenvolvimento, levando em consideração seu histórico e ancestralidade.

Infelizmente, Hitler vive

            Sob a alegação de que a Alemanha estava tomada por Judeus que “roubavam” seus empregos e moradias, e que impediam o crescimento do país, Hitler, com o seu poder de persuasão, lavou o cérebro dos soldados nazistas e deu início ao genocídio como solução ao problema dos imigrantes.
            Hoje, a Europa vive um momento de muita instabilidade econômica – vide a beira da falência da Grécia – e a União Europeia (UE) fez renascer o líder xenofóbico através de uma propaganda televisiva. Nela, uma mulher branca vestida como a protagonista do filme “Kill Bill”, com um uniforme amarelo e azul (as cores da UE), caminha num galpão quando é ameaçada por lutadores de Kung fu, de Capoeira e de Calaripayattu, arte macial indiana.
A protagonista então se multiplica em várias, formando um círculo ao redor dos agressores (representantes de países componentes do BRICs) que desistem da luta. Após a debandada dos adversários, ela e seus clones transformam-se no símbolo da UE. “The more we are, the stronger we are” (algo como “quanto mais nós somos, mais fortes seremos”), diz o lema da campanha.
Após muita polêmica, a propaganda foi tirada do ar e a União Europeia, como um João-sem-braço, pediu desculpas e lamentou a interpretação “errada”.

Atualização monetária

            Por qual quantia era vendido um escravo no Brasil?
Partindo dos documentos históricos e da literatura encontrados sobre a Escravidão chega-se até ao valor de 240 mil réis. Cada quatro mil réis correspondiam a uma libra esterlina, ou seja, 60 libras esterlinas. Fazendo a atualização, essa libra esterlina da escravidão valeria hoje 56 vezes mais. Assim, 56 vezes 60 igual a 3360 libras atuais. Na cotação de hoje, a libra esterlina tem o valor médio de R$ 3,00. Para finalizar, 3360 vezes R$ 3,00 é igual a R$ 10.080,00.
Na África, 40% dos negros morriam entre o ponto em que eram capturados e o litoral, onde eram vendidos aos traficantes. Nos navios negreiros, devido às péssimas condições de saúde e alimentação, cerca de 10 a 15% morriam na travessia que durava cerca de dois meses sobre o oceano. Como chegaram ao Brasil cerca de cinco milhões de escravos, pelos dados anteriores, percebe-se que morreram mais cinco milhões nesse nefasto período de nossa história.
Para pesquisar mais é indicado o sítio de atualização monetária www.globalfinancialdata.com, indicado por Laurentino Gomes no livro 1808.

terça-feira, 6 de março de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 03 07

Aniversário I

No início da década de 1980, existiu um trabalho de Capoeira em Biguaçu. Foi desenvolvido pelo, hoje, Mestre Pinóquio. As aulas aconteceram na S.R 17 de Maio e na sede do Biguaçu Atlético Clube (BAC) durante aproximadamente três anos. Após esse período, a Capoeira no município ficou adormecida por mais de 10 anos. Em onze de março de 1996, o Projeto Capoeira na Escola inicia as suas primeiras aulas na S.R 17 de Maio, e de lá para cá são dezesseis anos ininterruptos de muita capoeiragem em Biguaçu.

Aniversário II

            De acordo com os registros da Associação Cultural Capoeira na Escola, cerca de seis mil pessoas já experimentaram a prática de Capoeira nesses dezesseis anos, o que se torna algo muito notável num município com 60 mil habitantes – 10% da população.
            O número de pessoas descrito acima só foi alcançado pelo uso da didática constantemente atualizada; pelos intercâmbios com grandes Mestres da Velha-Guarda; pela motivação dos educadores; mas principalmente pelo apoio do poder público. Devido à neutralidade da diretoria da Associação é que, mesmo mudando as gestões, o Projeto Capoeira na Escola perpetua o lema: "Entre o berimbau e o caderno, a Capoeira formando cidadãos".

Aniversário III

Para comemorar o aniversário de dezesseis anos, o Projeto Capoeira na Escola convida a comunidade em geral para o encontro na Praça Central de Biguaçu no próximo sábado (10/03), às 10h, com roda de Capoeira, Maculelê, Samba-de-roda e confraternização.
Além dessa atividade, no mês de março será realizada a roda "Eu já joguei Capoeira...", um reencontro de ex-alunos com o trabalho atual. Aguarde informações.

História: O Mercado de Valongo

            O maior entreposto negreiro das Américas sumiu do mapa sem deixar vestígios. Sua localização é ignorada nos mapas de ruas e nos guias turísticos do Rio de Janeiro. Situada entre os bairros da Gamboa, do Santo Cristo e da Saúde, a antiga Rua do Valongo até mudou de nome: chama-se Rua do Camerino. Ao final dela, em direção à Praia Mauá, uma ladeira chamada Morro do Valongo, sem nenhuma placa, monumento ou explicação, é a única referência geográfica que restou. É como se a cidade, de alguma forma, tentasse esquecer o velho mercado negreiro e a mancha que ele representa na História do Brasil. Esforço inútil, porque bem ali perto fica o Sambódromo, onde, em todo o Carnaval, ao menos uma escola insiste em lembrar que a escravidão faz parte da memória dos cariocas e de todos os brasileiros.

Fonte: 1808 – Laurentino Gomes

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 02 29

Oscar I: Histórias Cruzadas

A década de 1960 foi altamente turbulenta nas questões de busca por direitos civis. Enquanto no Brasil se instalaria a Ditadura Militar - e com ela a censura, os exílios e torturas – nos Estados Unidos, Malcom X e Marthin Luther King revolucionavam com a capacidade de influenciar os pensamentos e ações dos negros americanos.
É nessa mesma década que se passa o filme “Histórias Cruzadas”, o qual rendeu o Oscar 2012 a Octavia Spencer, quinta negra a ser considerada melhor atriz coadjuvante. Antes dela: Hattie McDaniel (“...E o Vento Levou”, 1940); Whoopi Goldberg (Ghost, 1991); Jennifer Hudson (Dreamgirls, 2007) e Mo’Nique (Preciosa, 2010).
Já como atriz principal, somente Halle Barry recebeu o Oscar (A Última Ceia, 2002).

Oscar II: Uma resposta óbvia

            Numa disputa entre apenas dois filmes, um que faz parte da cultura norte-americana (Muppets) e outro que narra uma história passada no Brasil (Rio), qual seria o vencedor do troféu de melhor canção original?

Carreteiro do Evandro

            Um pacote de batatas-fritas: esse foi o motivo do espancamento e dos xingamentos de cunho racista sofridos pelo Professor Evandro Brito, na Praia da Ferrugem, Garopaba - Grande Florianópolis, no dia 02 de fevereiro.
            Os amigos do Professor estão organizando um carreteiro para cobrir os custos do tratamento médico. O valor do ingresso solidário é, no mínimo, R$ 25,00. Será na sede do Bloco Baiacu de Alguém (Praia de Santo Antônio de Lisboa), às 11h do dia 11 de março. Contato: (48) 9900-4016 – Karine.

1808

            O livro 1808, de Laurentino Gomes, foi, durante muito tempo, o mais vendido no Brasil. Além de ser uma aula de história, traz dados muito interessantes sobre a escravidão, os quais passo a reproduzir na coluna a partir de semana que vem.


Dedicatória

            A coluna de hoje é dedicada ao meu amigo Claudio Bandeira, que no último final de semana arbitrou livremente por sair do convívio terreno e passar ao mundo espiritual. Deixa saudades na capoeiragem da Ilha. Luz, Bandeira.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 02 22

Grupo de Acesso I

Em 2009, a convite do professor Marcos Canetta, então Superintendente, tive a oportunidade de fazer parte da gestão da Fundação Municipal de Cultura de São José. Entre as diversas ações realizadas estava a revitalização do desacreditado “Carnaval Zé Folia”: melhoramos a infraestrutura de todos os eventos; para o desfile dos Blocos trouxemos jurados neutros, colocamos o cronômetro digital na avenida, em debates com os presidentes refizemos o regulamento, e com isso, demos autoestima aos carnavalescos da cidade; colocamos a eleição da Rainha do Carnaval dentro do Shopping; pela primeira vez no município foi realizada a eleição da Rainha Gay; o Bloco da Prevenção (com samba-enredo de conscientização e com distribuição de preservativos) foi um sucesso; os idosos foram contemplados com Baile e escolha da Rainha da 3ª Idade; e tudo isso com registro zero de ocorrências policiais.
Mas o que me motivou a escrever foi o tal Grupo de Acesso do Carnaval da Grande Florianópolis. Escrevi o primeiro parágrafo para ilustrar o tanto que se fez com uma quantia pífia, extraída com empenho de Hércules após provarmos que não era gasto, mas, sim, investimento no lazer, turismo e geração direta e indireta de renda ao comércio e às pessoas da comunidade.
Já para participar do Grupo de Acesso do Carnaval da Grande Florianópolis em 2012, grifo: ano de eleições, foi necessário o investimento de duzentos e cinquenta mil reais da Prefeitura somados aos cinquenta mil de apoio do Governo do Estado e ainda os possíveis patrocinadores. Ou seja, no mínimo trezentos mil reais para que uma Escola de Samba representasse o município em um Grupo de Acesso que, pasmem, não deu acesso a nada, pois em acordo com a Liga das Escolas de Samba só haverá acesso para o vencedor de 2013 para desfilar em 2014.
Vale lembrar duas coisas: em 2009, os Blocos de São José receberam apenas sete mil reais cada para participar do desfile; a outra é que pelas trapalhadas da politicagem, o professor Marcos Canetta - eleito informalmente pelos demais secretários e formalmente pela Secretaria de Comunicação e Imprensa como o destaque do início da gestão do atual prefeito - foi logo exonerado.

Grupo de Acesso II

            Já em Biguaçu, a sensatez reinou: o Carnaval local está se fortalecendo internamente e o futuro a Deus pertence. Nada de “colocar azeitona na empadinha (carnaval) dos outros”.

É preciso: humildade e pé no chão

            Por ora, projetar o Carnaval da Grande Florianópolis com base no do Rio de Janeiro é utópico. Lá, desfilam escolas dos municípios de Teresópolis, Nilópolis, Niterói etc.,  mas tudo é feito de forma privada. A Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) do Rio de Janeiro é uma grande empresa e que funciona muito bem. O nível de profissionalismo é digno do maior espetáculo da face da Terra. Tive o prazer de conhecer a sede em 2009.
Enquanto por aqui, o cronômetro da “Nêgo Quirido” sumiu...

Capoeira no Samba

            A Capoeira esteve presente nas Escolas de Samba do Rio de Janeiro: Portela, Imperatriz Leopoldinense e Unidos de Vila Isabel. De arrepiar!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 02 15

Inscrições abertas

            Estão abertas as inscrições para as aulas de Capoeira no município de Biguaçu. Os interessados devem procurar a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer (SOL), ou o Centro de Artes Marciais (CAM).
            Além de aulas no CAM, haverá aulas em diversos locais: ASMUB, RECRIA, Capela Santo Antônio, Saveiro, APAE, CAPS, e Escolas Públicas (Ruth Reis, Viegas, Roldão, Lourdes Scherer, Godinho, Joaquim Cardoso e Donato).
Contatos:3285 3020 – SOL / 9613 2189 – Tuti / 9927 4433 – Cabrito / 8444 7439 - Corcel

Whitney Houston

            O mundo perde mais um talento para as drogas. Mais uma prova do laço eterno entre a genialidade e a loucura.

10 anos de Batukajé

            Para comemorar os 10 anos de representação dos povos africanos através da dança e da percussão realizadas pelo Bloco Afro Batukajé acontecerão os desfiles na Lagoa da Conceição nas seguintes datas: 17 (6ª-feira) e 21 (3ª-feira) de fevereiro, ambos às 20h.
            Os organizadores Nícolas (Percussão) e Nega (Dança Afro) convidam a comunidade para o aniversário do Batukajé.
Camisetas a R$ 20,00. Contatos: (48) 9902 5106 e (48) 9113 4161.

10ª Roda da Madrugada (Pós-roda)

Também comemorando 10 anos, a Roda da Madrugada, realizada no último sábado na Praia da Vila (Imbituba), foi de fato:
* um tributo à natureza: a lua cheia, o céu estrelado e as Ilhas de Santana de Dentro e Santana de Fora fizeram cenário para as manifestações culturais descendentes do povo de Angola;
* um desafio às qualidades físicas - já que foi o ano de maior tempo de roda (nascer do sol às 06h54min) – superado pela energia das quase oitenta pessoas presentes que jogaram, tocaram e cantaram de meia noite ao sol raiar;
* um louvor à ancestralidade da Capoeira, em tempos de perda de contato terreno com grandes Mestres (João Pequeno, Decânio, Peixinho, Bigodinho, Pele do Tonel) cabe-nos exaltá-los através da Capoeira descontraída, mas levada a sério.
            Fica o anseio pela próxima roda no verão de 2013.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 02 08

Dr. Decânio

Amigo de Carybé, Pierre Verger, Jorge Amado e Mestre Pastinha; eterno discípulo de Mestre Bimba; capacidade sem igual de sintetizar em palavras os sentimentos pela Capoeira: no início de fevereiro, mais um da Velha-guarda que parte e deixa saudades.
Escrevo sobre “Ângelo Augusto Decânio Filho, Mestre Decânio, o mais "idoso" dos discípulos de Mestre Bimba, a maior autoridade no mundo sobre a Capoeira Regional. Médico de profissão, esteve ao lado do Mestre Bimba desde 1938, dispensando-lhe atenção filial, cuidados médicos, assessoramento em assuntos relacionados com a administração da Academia, estudo de novos golpes e contragolpes, e o estabelecimento de normas e regras destinadas ao aperfeiçoamento do ensino da luta. Em decorrência deste relacionamento, tinha o privilégio de ser o único detentor dos segredos e das manhas do Mestre. Escreveu vários livros sobre Capoeira, agrupados na Coleção São Salomão, editada por ele próprio.”.
            Duas pérolas de Dr. Decânio:

“A Capoeira parece um embate de corpos, mas é a junção dos corações.”

“Capoeira é uma palavra estranha, que se escreve com um "r" suave e se pratica com três "erres". O primeiro é o RITMO, o segundo o RITUAL e o terceiro é o RESPEITO; sem os quais não se joga e nem se ensina a Capoeira!”

10ª Roda da Madrugada

Roda de Capoeira em que os instrumentos começam a tocar à meia noite, sob a única regra de não poder parar até o primeiro raio de sol iluminar os jogadores.
            O evento gratuito conta ainda com apresentações de: Puxada de Rede, Maculelê, Samba de Roda e Percussão, e com acompanhamento de frutas, churrasco e muita amizade.
A Roda da Madrugada chega à sua 10ª edição, e para comemorar em alto estilo esse ano será realizada na Praia da Vila. Situada na cidade de Imbituba, a praia considerada pelos nativos como berço do surfe catarinense é hoje sede de campeonatos internacionais. O canto da Praia tem paisagem deslumbrante: ao lado esquerdo, a trilha ecológica do Farol, excelente para a observação de baleias e contato com a fauna e flora exuberantes; atrás, o Porto de Imbituba; e à frente, assemelhando-se a uma cantiga de Capoeira, as ilhas de Santana de Dentro e Santana de Fora, que pela disposição geográfica ocasionam as belas ondas do local. Cenário perfeito para mais uma noite de exaltação à cultura negra.
Será na madrugada de sábado (11) para domingo (12/02/2012) e o lema é:

“Mais do que uma simples roda, é um tributo à natureza,
um desafio às qualidades físicas,
um louvor à ancestralidade da Capoeira.”



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Roda da Madrugada 2012

10ª Roda da Madrugada
Release

Descrição: Roda de Capoeira onde os instrumentos começam a tocar à meia noite, sob a única regra de não poder parar até o primeiro raio de sol iluminar os jogadores.
            O evento gratuito conta ainda com apresentações de: Puxada de Rede, Maculelê, Samba de Roda e Percussão, e com acompanhamento de frutas, churrasco e muita amizade.

Locais anteriores: Lindas praias da Grande Florianópolis foram os primeiros cenários da Roda da Madrugada: Armação da Piedade/Cordas, Praia Grande, Pinheira, Naufragados, Praia de Fora, Guarda do Embaú, Joaquina, Matadeiro e Praia do Luz.

Local de 2012: A Roda da Madrugada chega à sua 10ª edição e para comemorar em alto estilo esse ano será realizada na Praia da Vila. Situada na cidade de Imbituba, a praia considerada pelos nativos como berço do surfe catarinense é hoje sede de campeonatos internacionais. O canto da Praia tem paisagem deslumbrante: ao lado esquerdo, a trilha ecológica do Farol, excelente para a observação de baleias e contato com a fauna e flora exuberantes; atrás, o Porto de Imbituba; e à frente, assemelhando-se a uma cantiga de Capoeira, as ilhas de Santana de Dentro e Santana de Fora, que pela disposição geográfica ocasionam as belas ondas do local.
Cenário perfeito para mais uma noite de exaltação à cultura negra.

Data:   Madrugada de Sábado (11) para Domingo (12/02/2012).

Arte e Lema:
 

“Mais do que uma simples roda, é um tributo à Natureza,
um desafio às qualidades físicas,
um louvor à ancestralidade da Capoeira.”

Contatos:
(48) 9613 2189 – Mestre Tuti
mestretuti@capoeiranaescola.org.br
www.capoeiranaescola.org.br

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 02 01

Mais sobre Rui Barbosa

            Voltando ao senso comum dos capoeiras sobre o fato de Rui Barbosa ter queimado os documentos relativos à escravidão por considerá-los como retrato da vergonha nacional, vamos a uma outra versão.
            Meu amigo do samba, Clébinho Pereira, interessou-se pelo tema e entrou em contato com a Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), da qual obteve resposta através da Chefe de Pesquisa, Rejane de Magalhães, transcrita a seguir:
“Sobre este assunto a FCRB fez uma publicação: ‘Rui Barbosa e a queima dos arquivos, FCRB, 1988’. Durante o Governo Provisório, Rui, Ministro da Fazenda, recebeu um requerimento formulado por José Rodrigues de Vasconcelos e outros apresentando as bases para a fundação de um banco encarregado de indenizar os ex-proprietários de escravos ou seus herdeiros, dos prejuízos causados pela Lei de 13 de maio de 1888, deduzidos 50% de seu valor em favor da República.
O despacho de indeferimento de Rui não se fez esperar, sendo proferido a 11 de novembro de 1890: ‘Mais justo seria, e melhor se consultaria o sentimento nacional, se se pudesse descobrir meio de indenizar os ex-escravos, não onerando o Tesouro. (Diário Oficial de 12/11/1890, p. 5.216)’.
E para completar, a decisão s/nº de 14 de dezembro de 1890, assinada por Rui Barbosa - texto divulgado em ‘O Direito’ (vol. 54, p. 160) e publicado no Diário Oficial (ed. de 18/12/1890, p. 5845, colunas 1 e 2) -, manda queimar todos os papéis, livros de matrícula e documentos relativos à escravidão, existentes nas repartições do Ministério da Fazenda. Não pertence exclusivamente a Rui a queima dos papéis, embora tenha sido sua a iniciativa, mas vale informar que a execução do feito foi do Ministro que o sucedeu, Tristão de Alencar Araripe, por meio da Circular nº 29 de 13 de maio de 1891 (Diário Oficial de 13 de maio de 1891, p. 2.037-8).”

Afoxé

            O Afoxé, muito presente no carnaval baiano, vem a cada ano conquistando o seu espaço também em Santa Catarina. O mérito é do Afoxé Omo Olorun, coordenado por Cláudio Mizraji, conhecido na Capoeira como Xarope.
            Com uma programação efetiva para o carnaval catarinense 2012, vale destacar o I Presente de Iemanjá (02 de fevereiro é dia da Orixá), que acontecerá no dia 04 de fevereiro, na Praia de Canasvieiras, às 14h30.
Xarope convida a população e sugere: “Iemanjá é a Rainha dos Mares, por isso devemos preservar a natureza. Evite colocar em seu presente materiais prejudiciais ao meio ambiente como plásticos, frascos e espelhos.”.

Roda em Palmas

No próximo sábado, acontecerá a roda do Projeto Capoeira na Escola na Praia de Palmas (Gov. Celso Ramos). Será às 17h.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 01 25

Intolerância Religiosa
            Quantas guerras já aconteceram, e continuarão acontecendo, motivadas por ideologias religiosas? Quantos fanáticos foram protagonistas de assassinatos em série? Quantos morreram, inclusive queimados, por defenderem seus dogmas?  Essas perguntas denotam o paradoxo: aquilo que deveria ser o instrumento de ‘religação’ (por isso o termo ‘religião’) entre a matéria e a espiritualidade, é usado como pretexto para justificar atos selvagens.
            Historiadores afirmam que a maior parte das religiões já sofreu rechaçamento. No Brasil, esse argumento fica evidente hoje na perseguição sofrida pelas religiões de tronco africano.
Alguns louvam com grupos musicais até de madrugada; outros tocam o sino às 06h da manhã; mas basta um atabaque ecoar num Terreiro às 22h01min. que alguém chamará a polícia. O fato lamentável ocorrido em Jaraguá do Sul - em que o Terreiro foi invadido, as imagens e decorações jogadas ao chão, atabaques quebrados e quem estava dentro algemado -, narrado nessa coluna, é bastante comum, acontecendo inclusive em Biguaçu. Sem contar as expressões pejorativas disseminadas no cotidiano das ruas e de algumas emissoras de Tv: “Umbanda é cosa do diabo”; “Chuta que é macumba”, etc..

Intolerância Religiosa II
Por tudo da nota anterior, em 2007, o então Presidente Lula assinou a lei 11635, que inclui no calendário cívico brasileiro a data 21 de Janeiro como o Dia de Luta contra a Intolerância Religiosa. A data escolhida relembra a morte da Yalorixá Gildásia dos Santos, Mãe Gilda, que após sofrer constantes ataques em informativos impressos por outra religião teve complicações de saúde e faleceu no dia 21 de Janeiro de 2000, em Salvador, Bahia.

Capoeira e MMA
O MMA está em alta, e por isso achei por bem republicar este texto sobre a Capoeira como luta:
A Capoeira nasceu como luta; era a forma dos escravos reconquistarem sua liberdade batendo no feitor armado somente com a habilidade corporal.
Existem confrontos modernos chamados de MMA (Mixed Martial Arts, antigamente chamados de Vale-tudo) em que muitos capoeiristas têm demonstrado a eficiência da Capoeira/Luta. Mestre Hulk ficou famoso há alguns anos ao ser declarado campeão de um torneio com grandes nomes das artes marciais. Depois dele, muitos outros já se valeram de técnicas de Capoeira em suas lutas. Marco Ruas, Pedro Rizzo, Delson Pé-de-Chumbo, Anderson Silva, só pra citar alguns lutadores da elite mundial que tiveram Capoeira como um de seus fundamentos.
Hoje, para ser considerado um lutador completo, necessariamente você deve praticar diversos estilos de luta. Não se representa mais uma única arte marcial em cima de um ringue. Está enganado quem pensa que será bem sucedido ao entrar num ringue ou octógono apresentando somente um perfil. Um lutador só de Jiu-Jitsu, ou só de Muay-Thai, ou só de Capoeira, em uma luta de MMA está fadado ao fracasso, com exceção de regra para um golpe de sorte qualquer, mas com probabilidade muito baixa de acontecer.
Já para ser um capoeira completo, um mestre, você deve reconhecer e acreditar na potencialidade da Capoeira em todas as suas faces e conhecer a sua história; dominar a musicalidade; ter bagagem de roda (de jogo, e não de baixarias); valorizar os mestres veteranos e os novos que tenham consciência de seu papel; respeitar todos os alunos, sendo seus ou não, e aceitar suas dúvidas/questionamentos com respostas dignas de mestre. Enfim, ser um lutador é muito mais simples do que ser um mestre na real concepção da palavra. Aliás, uma vez Mestre sempre Mestre; estará constantemente na missão de exaltar a sua arte e não de colocá-la em xeque.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 01 18

A cor dos homicídios

            O estudo feito por Júlio Jacobo Waiselfisz - “Mapa da Violência” - traz dados assustadores relacionados à progressão da violência no Brasil. De início (p.60), registra: “... a tendência geral desde 2002 é: queda no número absoluto de homicídios na população branca e aumento no número da população negra.”.
            Seguem dados referentes ao período 2002 e 2010:
·        O número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 13.668, o que representa uma queda da ordem de 27,5%;
·        Já entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 26.952 para 33.264, equivalente a um crescimento de 23,4%;
·        Em 2002, o índice nacional de vitimização negra foi de 45,8. Isto é, nesse ano morreram, proporcionalmente, 45,8% mais negros do que brancos;
·        Quatro anos mais tarde, em 2006, esse índice pula para 82,7;
·        Já em 2010, um novo patamar preocupante: morrem, proporcionalmente, 139% mais negros do que brancos, isto é, bem acima do dobro.
Fonte: mapadaviolencia.org.br

Amor Sem Fronteiras

            Faz dois anos que aconteceu a catástrofe no Haiti; e para relembrar a força da heroína brasileira que morreu naquele terremoto, Zilda Arns, segue a dica de um filme. Trata-se do longa-metragem “Amor sem fronteiras” (2003), com Angelina Jolie e Clive Owen, que mostra um pouco da vida de voluntários em países marcados pela guerra e pela pobreza. O realismo das cenas nas tribos da Etiópia é impressionante.

Eleição ACCAES

No último sábado, aconteceu a eleição da diretoria da Associação Cultural Capoeira na Escola (ACCAES), ficando assim disposta:
Presidente: Luís Roberto Pereira
Vice-Presidente: Gustavo Borba de Amorim
1º Tesoureiro: Fernando Bueno
1º Secretário: César Bueno
Conselho Fiscal: Alisson Mariano; Robson Pedra e Juliano Ribeiro.
Na ocasião, também foram realizadas a avaliação das ações da entidade em 2011 e a projeção para 2012.
Como novidades em seu calendário, este ano a ACCAES realizará: Encontro Estadual de Capoeira Especial (pessoas com deficiência); peça teatral de aniversário do Saci-Pererê; Batismo de Educação Infantil Unificado; Dia do Projeto Subindo a Ladeira (distribuição de cestas básicas); e roda: “Eu já joguei Capoeira...” (reencontro com ex-alunos), além de todos os eventos já realizados em 2011.

Roda da Madrugada
           
A Roda da Madrugada-2012 acontecerá na Praia da Vila (Imbituba) no dia 11 de fevereiro. Aguardem mais informações.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 01 11

Festa da Conceição

            Mestre Bola Sete relata em seu livro “Histórias e Estórias da Capoeiragem” que, na década de 20, na Bahia, houve uma primeira tentativa de organização de Capoeira culminando na criação do Centro de Capoeira Angola Conceição da Praia.
Entre as ações dos renomados Mestres baianos que compunham a organização estava a roda anual que acontecia no dia 08 de dezembro na Festa da Conceição. Ali, predominava o traje branco - com alguns, inclusive, usando cartola e bengala – e à meia noite iniciavam os jogos. A ideia era passar uma imagem positiva da Capoeira, que até então era praticada por maioria de vadios e vagabundos.

Roda em Palmas

No próximo sábado, acontecerá a reunião da Associação Cultural Capoeira na Escola. A pauta é composta por: eleição da diretoria; avaliação de 2011 e projeção de 2012.
Após a reunião, por volta de 18h, haverá roda na praia de Palmas (Gov. Celso Ramos).

Olha quem o povo elege
Por: Francisco Serena (euviali.com)

A gravadora Sony Music foi condenada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a pagar R$ 1,2 milhão de indenização pelo caráter racista da composição “Veja os Cabelos Dela”, do cantor e Deputado Federal, Tiririca. O valor da indenização, que deverá ser pago a dez organizações não governamentais que lutam contra o racismo, é o maior já registrado no Brasil.
“A quantia é pequena ainda se comparada com outros segmentos de danos morais, como injúria e difamação”, disse o advogado de defesa, Humbero Adami. De acordo com as entidades, a letra da música ofende diretamente a dignidade da população negra. Em alguns versos, o compositor afirma: “Veja veja veja veja veja os cabelos dela/Parece bom-bril, de ariá panela/Parece bom-bril, de ariá panela/Eu já mandei, ela se lavar/Mas ela teimo, e não quis me escutar/Essa nega fede, fede de lascar”.
Depois da decisão, a gravadora não emitiu nenhum comunicado para a imprensa. O Deputado Tiririca já declarou que não se pronunciará sobre o tema, uma vez que a Sony é quem foi acionada pelo processo. A ação tramita no tribunal desde 2004, quando a gravadora recorreu da condenação. Na época, a indenização foi de cerca de R$ 300 milhões.

Racismo em São Paulo

            Não posso deixar de comentar mais um caso de racismo ocorrido no país da “Democracia Racial”. Refaçamos a cena: Pizzaria Nonno Paolo, Vila Mariana em São Paulo, bairro nobre; os pais espanhóis estão se servindo; o menino adotado na Etiópia fica aguardando sentado. Ao retornarem à mesa, os pais levam um susto, pois o filho de seis anos sumiu! A mãe, desesperada, sai a procura pelas ruas agitadas da cidade e encontra-o a um quarteirão de distância, chorando e com medo.
            Na tentativa de explicar o inexplicável, feita pelo funcionário que tirou a criança do estabelecimento puxando-o pelo braço, ele diz: “Naquele horário, 13h30, havia uma feira ali próxima e eu acabei confundindo o garoto com um menino de rua”.
            O racismo é mais um dos tipos de câncer que existem nesta sociedade cheia de comorbidades.