terça-feira, 5 de junho de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 06 06

Ideias em prol de uma utopia

            Deveria ser incluído nas salas do ensino médio - ao encontro da Lei 10639/03, que trata da inserção da temática afro-brasileira nos currículos escolares – o texto de Marcelo Paixão: Manifesto Anti-Racista – Ideias em Prol de uma Utopia chamada Brasil.
            No livro, a disparidade sócio-racial que existe entre brancos, negros e indigenas, está esmiuçada em diversos tópicos, tais como: educação (acesso à Universidade, evasão escolar, nível de escolaridade e tempo de estudo); emprego e renda (quem são os empresários no Brasil, quem recebe os melhores salários, quem é mais demitido, quem está subempregado, etc.); saúde; previdência social; violência policial; taxa de homicídios; população carcerária; menores infratores; violência contra as mulheres; número de representantes políticos e etc..
            Marcelo Paixão afirma: “Após 124 anos de abolição, os afrodescendentes e indígenas brasileiros se encontram, invariavelmente, nas piores posições em termos de acesso aos níveis mais avançados de ensino, aos bons empregos, aos recursos públicos e às políticas sociais.”.
            Sei que é mais uma utopia, mas quem sabe ao ler e debater materiais como esse nossos futuros cidadãos não mais afirmariam que “o preconceito racial é maior por parte dos próprios negros...”.


Estado Laico ou Eclesiástico?

            Quinta-feira, feriado: Corpus Christi. O Brasil possui onze feriados nacionais, destes, seis são ligados às datas sagradas da Igreja Católica e cinco são datas cívicas. Quando se cogita um (apenas um) feriado alusivo a um herói que fuja do etnocentrismo imperialista – como se pode ver nas qualificaçãoes dos feriados – ou a datas alusivas a outras religiões, a guerra estará armada.


Informativo
           
Na próxima semana será distribuído o Informativo da Cultura Afro-brasileira produzido pela Associação Capoeira na Escola. Será a 21ª edição e dessa vez com capa e contracapa coloridas. Aguarde muita informação.


Frase

“Quando li a biografia de Malcom X, eu me tornei uma bomba ambulante.”
Mano Brown




terça-feira, 29 de maio de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 05 30

Arroz Quilombola

O arroz vindo da África – em trouxinhas enroladas nos cabelos das negras escravizadas - é diferente: um pouco mais escuro e, assim como o arroz integral, leva um pouco mais de tempo para cozinhar. Por outro lado, tem um sabor peculiar, é cultivado de forma natural (orgânico) e traz, em cada mastigada, 400 anos de história da diáspora negra.
Essa nota é para louvar a Cooperativa Gaúcha Arroz Quilombola, a primeira cooperativa de negros rurais do Rio Grande do Sul  e uma das poucas existentes no Brasil. Seus integrantes são da Comunidade Quilombola São Miguel dos Pretos, localizada no município de Restinga Seca, região central daquele estado.
Vale conferir: www.arrozquilombola.com

Ajeum

            Já que falamos de arroz, vamos falar de Ajeum. Em 1988, a Escola de Samba Unidos da Vila Isabel (RJ) entrou na avenida com um samba-enredo chamado “Kizomba – Festa da Raça”. A composição empolgou a todos os militantes do movimento negro, pois já começava dessa forma: “Valeu, Zumbi; um grito forte dos Palmares, que correu terras, céus e mares, influenciando a abolição...”
Com a inspiração dos grandes poetas, Luiz Carlos da Vila (autor do samba-enredo) descreveu como acontece a Kizomba, a festa do povo, tendo o nome origem nas danças dos negros que resistiram à escravidão. Era congregação, confraternização, resistência. Um chamado à luta por liberdade e por justiça.
No decorrer da letra, uma palavra chama atenção: Ajeum, que significa refeição. O ato de comer faz parte do ritual de várias religiões, inclusive a Católica com a Hóstia Sagrada e o Candomblé com o Ajeum. Existem toques de atabaque e cantigas específicas para a entrada do Ajeum que será colocado ao centro do Terreiro. De acordo com a hierarquia, servem-se todos para partilharem o Axé (energia) dos Orixás.
Com toda a profundidade dissertativa, Kizomba conquistou o primeiro título da história da Unidos da Vila Isabel.

Festival de Dança de Joinville

            O Festival de Dança de Joinville é um dos maiores encontros de dança do mundo. Este ano, a Capoeira estará representada pelo Projeto Capoeira na Escola. A vaga foi conquistada após a escolha criteriosa entre aproximadamente duas mil e quinhentas apresentações. A coreografia “Ponte África-Brasil” será apresentada na segunda quinzena de julho, afinal, dança e arte também são faces da Capoeira.

Roda

            Sábado é dia de roda na Praça Central de Biguaçu, às 10h. Caso chova, a roda acontecerá no Centro Cultural Casarão Born.

Chico, eterno

“Eu sou um advogado dos pobres. Eu os defendo da tristeza.
Meus personagens são feitos para as classes C, D e E.”
Chico Anysio

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Resultados e Fotos do Festival "O Pulo do Gato"

As fotos do Festival "O Pulo do Gato" já estão postadas. Clique na foto abaixo e confira:


Clique na foto para abrir o álbum


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Vem aí: Festival O Pulo do Gato

Coluna Fala Capoeira 2012 05 16

Festival: O Pulo do Gato - 2012

No próximo sábado (dia 19/05), a partir das 09h, no Ginásio Municipal Nagib Sallum, acontecerá o Festival “O Pulo do Gato” – Acrobacias de Capoeira. Seguem abaixo as definições das diferentes modalidades a serem disputadas:
a)    Saltos: execução de saltos acrobáticos de livre escolha, sendo cinco (05) para masculino adulto e três (03) para as outras categorias;
b)    Equilíbrio: execução livre de paradas de cabeça ou de mão num tempo mínimo de três (03) segundos e máximo de dez (10) segundos;
c)    Movimento extraordinário: apresentação de apenas um movimento de média a alta dificuldade, tendo direito a três tentativas (não valem acrobacias básicas e saltos);
d)    Acrobacias Básicas: sequência composta necessariamente na ordem: aú, ponte, parada de cabeça, parada de mão, macaco, s dobrado, pião de mão, pião de cabeça, canivete e meio-relógio, com o tempo máximo de quarenta (40) segundos.
            A entrada é a doação de 01 kg de alimento não perecível.

Dois é demais

            Aquele que já falou mal dos índios, dos percussionistas e capoeiristas, dos negros e dos pobres, indigno até de que pronunciem o seu nome, tem um novo seguidor no JB Foco. Tal qual seu mestre, com linguagem ofensiva, achando que violência é solução para os problemas sociais (citou o caso dos surfistas de ônibus flagrados após o primeiro clássico dizendo que aqueles vandalos deveriam pintar o “rabo” de vermelho e deveriam levar uma “boa surra”), tenta ditar lições de moral até para a Caroline Dieckmann, dizendo: “Carolina, pede para a Playboy reembolsar os danos morais..”, esquecendo ele que existe muita diferença entre contrato formalizado e invasão de privacidade.
            Mas o pior de tudo é quando esse “herdeiro do ditador” divaga sobre o que nitidamente não domina: “o preconceito racial é maior por parte dos próprios negros. Vejam o caso de cantores e jogadores de futebol negros. O primeiro sonho de consumo deles é ter uma mulher branca ao seu lado. Não estou falando que sou contra, não... Mas não valorizam a própria raça. E os demais só se preocupam com cotas de universidades”.
Infelizmente, tive de transcrever essa nojeirada para poder contextualizar àqueles que não têm acesso ao jornal. Com que base esse ser pode afirmar que o preconceito racial é maior por parte dos próprios negros? De qual estudo extraiu isso? Outra: O enquadramento dos negros nos estereótipos de jogador e cantor é típico de gente racista. Quando ele disserta sobre as relações pluriétnicas, esquece-se de que a mulher branca está com o seu par porque quer, e não porque ela também não valoriza a sua “raça”. Ou para ela valorizar a eurodescendência só poderá namorar homens brancos? Como se não bastasse, diz que todos os negros que não são jogadores e cantores não têm mais nada a se preocupar além da luta a favor das cotas.
É muito triste, mas fica o recado ao “colunista”: Meça suas palavras, pois o Movimento Negro está de olho.

Da barata ao kong

O que se pode esperar de um cantor que compõem: “Toda vez que chego em casa, a barata da vizinha tá na minha cama...” e que chora ao cantar para o desastrado e encrenqueiro Presidente dos Eua, George Bush?
A resposta ideal seria nada, mas não, ele consegue fazer pior reforçando os estereótipos relativos ao negro e ainda afirmando: “Existem coisas mais interessantes e mais importantes para gente se preocupar.”.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 05 09

Mais um caso

Essa vai para os que são contrários às cotas como o Arnaldo Jabor: Nos notíciários do final de semana, um médico foi flagrado por xingamentos de cunho racista a uma atendente de cinema em um Shopping no Distrito Federal. Ele afirmou: “Você deveria estar na África cuidando de orangotangos e não lidando com pessoas”.
É só mais um entre milhares de casos que provam o quão “democrático” o Brasil é na questão racial. O médico foi indiciado e, após o início do processo e a divulgação de sua imagem, várias outras pessoas que já haviam sido vítimas dele fizeram coro na justiça.


Comentário ilustre

            Fiquei honrado com os comentários sobre a nossa coluna feitos pelo Embaixador Municipal da Cultura, Professor Joaquim Gonçalves dos Santos, pessoa a quem admiro muito.
            O professor, além de comentar sobre a coluna de semana passada, corrobora com a máxima da Associação Capoeira na Escola de combater todas as formas de discriminação, e ainda afirma a necessidade de união para a produção de materiais didáticos feitos com as devidas correções históricas.
            Aproveito para convidar o Professor Joaquim para apoiar a ideia - lançada através de uma “folha fundamental” na 1ª Semana Afro-Biguaçuense - de aprofundarmos as pesquisas sobre o “Negro em Biguaçu” com posterior publicação de livro.


Dica de filme
 

Nos Estados Unidos na década de 1960, os movimentos civis estavam em efervescência. Foi a década ápice de Martin Luther King e Malcom X, líderes negros e referências mundiais. O estado da Carolina do Sul é conhecido por ter sido o estopim da Guerra Civil Norte-Americana. Por ser o estado com maior concentração de escravos, seus “donos” não aceitavam a imposição do governo de abolir a escravidão e iniciaram o movimento de separatismo.
Nesse contexto - década de 60 e estado Carolina do Sul - é que se desenvolve o filme ”A Vida Secreta das Abelhas”; um drama carregado de emoção que trata de uma menina branca em busca da história de sua mãe. A adolescente criada por uma babá negra foge de seu pai, um sujeito grosseiro, acompanhada por sua babá e chegam à Carolina do Sul, encontrando abrigo numa família produtora de mel.
“Do destino e de sua história, ninguém foge”, é uma frase que resume o filme.



Próximas atividades

·         Festival O Pulo do Gato: dia 19/05, às 09h, Ginásio Nagib Sallum, Biguaçu.
·         Peça Teatral Abolição: dia 19/05, às 21h, Sociedade Novo Horizonte, Avenida Beiramar Norte, Fpolis

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 05 02

Cotas: 10 a 0 no STF

A constitucionalidade da aplicação das cotas raciais para acesso à Universidade foi julgada no Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns advogados se inscreveram como “Amigos da Corte” (Amicus Curiae) para sustentar as teses dos dois lados.
Defendendo o DEM, partido político que impetrou a ação de inconstitucionalidade das cotas (ADPF 186), apenas duas pessoas: uma advogada recém-saída da Faculdade, com visível tom emotivo em sua leitura (isso mesmo: leitura); e uma juíza do Rio Grande do Sul que insistia em afirmar que no Brasil não há discriminação pela cor da pele, mas, sim, pela classe social.
Já os defensores da política de cotas foram sete, com argumentos saídos das oratórias das mais ricas que, para quem é militante, chegavam a arrepiar. Destaque para a fala à Malcom X de Édio Silva Junior, simplesmente histórica.
A Procuradoria Geral da União também fez um discurso motivante na pessoa de Déborah Duprat, trazendo várias reflexões a essa discussão, como por exemplo: “Os contra as ações afirmativas defendem que as cotas para acesso à Universidade devem ter o caráter social e não étnico. Por que, então, não existe o fator social em relação às outras cotas, como a de pessoas com deficiência nas empresas e das mulheres na política? Pensando em cotas sociais, poderiam ter benefício somente pessoas com deficiência que fossem pobres e mulheres que fossem pobres; mas não é assim”.
Como as cotas raciais já acontecem há mais de dez anos no Brasil, devido à autonomia acadêmica prevista na LDB, o argumento de que sua implantação geraria um ódio racial já foi derrubado, bem como derrubada foi a tese de que os cotistas não acompanhariam os estudos e tornar-se-iam profissionais desqualificados.
Por fim, o voto do relator, favorável às cotas, Ministro Ricardo Lewandowski, que durou cerca de duas horas, remeteu a esperança de um País mais igualitário e justo.

Relembrando

            Na semana passada, registramos o adiamento da votação sobre a constitucionalidade do Decreto 4887/2003, que trata sobre a Regulamentação das Terras Quilombolas. No dia 26/04, o Supremo Tribunal Federal declarou constitucional a aplicação de Cotas Raciais na Universidade. Ambos os entraves no STF foram gerados pelo DEM, sempre contrário às questões de alta importância relacionadas ao povo negro.

Dia do Trabalhador

            Aproveitando o gancho do Dia do Trabalhador, a coluna reitera a necessidade da desconstrução da expressão: “O Negro AJUDOU a construir este País”, para postar em seu lugar: “O Negro CONSTRUIU este País”.
Mesmo que sob o jugo da chibata do feitor, tudo que se ergueu no Brasil-colônia – das estradas às igrejas; dos monumentos aos trilhos de trem; das casas aos conventos e etc. – foi fruto do trabalho escravo. Depois das obras maiores dos africanos e descendentes é que vieram as “ajudas” de outras etnias.

Aniversário de Biguaçu

De sexta a domingo (04 a 06), na Praça Central, a Associação Cultural Capoeira na Escola estará presente - por meio de um estande com acarajé, produtos diversos e jogos eletrônicos de Capoeira – nas comemorações do aniversário de Biguaçu. Haverá roda de Capoeira no sábado (05) com apresentação de Puxada de Rede e Maculelê, às 10h. Participe.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 04 25

Nossos heróis

            Mais um feriado de Tiradentes passou... Este ano, o dia de Zumbi cairá numa terça-feira e mais uma vez, os comerciantes e suas associações gritarão contra.
Quando existirá a equiparação de nossos heróis?

Desvio e Roubo

            Neste ponto, concordei com a jornalista Lillian Witte Fib e por isso parafraseio-a. Quando é relativo ao “grandão”, ao homem da camisa com botões e colarinho branco, mais especificamente aos políticos, a ação chama-se “Desvio de dinheiro púbico”; quando é relativo ao “pé-de-chinelo”, ao que entra no fundo do quintal, ao pobre, a ação é “Roubo”.
Esse é o dia-a-dia no País dos rodeios e dissimulações.

Operação Gato Félix na PF

            No final de 2011, por iniciativa do Professor Marcos Canetta (Bloco Liberdade), algumas lideranças (Vereadores de Fpolis. Badeko e Ricardo, Dr. Lima, Prof. Marcos Moita, Dr. Vargas, Paulinho, Rony Costa, Mestre Tuti, Delegados Ildo Rosa e Cardoso) protocolaram denúncia de racismo na Polícia Federal contra uma página – chamada “piadas de pretos” - da rede de relacionamentos Facebook.
Os responsáveis foram presos recentemente em São Paulo. Vitória!

Decreto 4887/2003: Adiamento

O Decreto 4887/2003, que define o que são quilombos e estabelece os procedimentos administrativos para a titulação de suas respectivas terras, considerado inconstitucional pelo DEM, teve decisão sobre sua constitucionalidade adiada depois do pedido de vistas feito pela Ministra Rosa Weber.

Indenização a Quilombola
Por: Caroline Spricigo

A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) confirmou, nesta semana, a sentença que determina ao Estado de Santa Catarina pagar R$ 20 mil a título de indenização por danos morais à Comunidade Quilombola São Roque, no município de Praia Grande (SC), e outros R$ 20 mil a um membro do grupo, vítima de abordagem policial considerada abusiva.
Em janeiro de 2007, durante uma busca policial a um suspeito de homicídio cometido na região, um grupo de policiais abordou um integrante da comunidade quilombola que alimentava animais. Conforme depoimento prestado em juízo, o homem relatou que foi revistado, teve as mãos amarradas e armas apontadas para a cabeça e para o peito e que sua identificação só foi permitida após insistentes negativas de autoria do crime de que era acusado. Depois de certificarem-se de que não se tratava do suspeito perseguido, os policiais teriam ido embora sem manifestar qualquer pedido de desculpas pelo constrangimento causado.

Semana de Jorge
            Eu também sou da sua companhia! Dedico a ele as minhas vitórias e peço forças para continuar firme na arena. Salve, Jorge!


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 04 18

Momento mágico

Em 2006, estávamos em Petrópolis (RJ), em um evento do Mestre Vuê, quando mais uma vez presenciei a grandeza do Mestre João Pequeno de Pastinha. Era uma parte da programação em que os alunos poderiam fazer perguntas aos Mestres presentes. Eis que alguém pergunta ao capoeira mais vivido do Universo: - Mestre, como seria o mundo sem a Capoeira?
Não consigo transcrever de forma literal a resposta, mas o grande João Pequeno, antes de ser aplaudido de pé, disse algo como: - A palavra Capoeira vem dos vocábulos Indígenas (Tupy) “Caã” e “Puerá” que significam “mato rasteiro”, “mato que está crescendo”. O mundo sem mato crescendo é um agreste; um deserto sem vida. Capoeira é vida!
Considero essa pequena história também uma forma de homenagear aos Índios pela resistência em um País que insiste em excluí-los.


Regulamentação Quilombola - Decreto 4887/2003
Por Daiane Souza e Drielly Jardim (FCP)

A democracia brasileira está em processo e precisa ser aprimorada. Um dos caminhos para o seu aperfeiçoamento é a participação da comunidade negra no desenvolvimento do país em igualdade de condições e oportunidades, e nos resultados do progresso. Foi esta população a principal executora dos trabalhos de construção da sociedade brasileira nos mais diversos aspectos, mas que por décadas não foi enxergada como cidadã. 
As lutas pelo acesso aos direitos são constantes, especialmente por parte das comunidades quilombolas e um dos principais avanços legais nesse sentido está prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF): o Decreto 4887/2003. O documento define o que são quilombos e estabelece os procedimentos administrativos para a titulação de suas respectivas terras.
De acordo com Ubiratan Castro, diretor da Fundação Pedro Calmon da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e ex-presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), as comunidades remanescentes de quilombos estão entre as principais riquezas do país. São espaços de preservação da história e onde se projetam a identidade étnica e a solidariedade mútua, valores já não tão observados na grande sociedade.
            Em Biguaçu, existem locais carentes de estudos para a obtenção da titulação de comunidades quilombolas.

Próximas atividades

            Nas comemorações de aniversário do município de Biguaçu, início de maio, a Associação Cultural Capoeira na Escola marcará presença com um estande em que serão oferecidos: acarajé; produtos de Capoeira e ainda disponibilizará às crianças acesso a jogos de vídeo específicos (Berimbau Hero, Capoeira Legends, Tekken). A meta é contribuir para a divulgação da cultura afro.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 04 11

Realengo, um ano depois
           
Eu deduzo que é isso o que ele quer: que falemos o seu nome, para que seja lembrado e para que a audiência de seu programa na TV seja alta. Como escrevi há pouco tempo sobre o seu conservadorismo e ideias retrógradas (resolver tudo no cinto; exaltar que no tempo da ditadura é que era bom; que pobre não deveria ter carro e etc.), dessa vez não vou nem citar o seu nome, pois ele não merece.
Na semana passada, a estupidez originada nesse ser arcaico descrito acima foi afirmar que “Capoeira e ficar batendo tambor não levam a lugar algum”. Lembrei-me de alguns dados que eu poderia escrever à emissora para esbravejar a minha insatisfação e contestar o argumento débil solicitando providências: são mais de cento e cinquenta países que praticam Capoeira; grande parte dos turistas que visitam Salvador (Bahia) vem motivada pela busca de aprofundamento em Capoeira; após 16 anos de aulas em Biguaçu, eu poderia indicar dezenas de profissionais (Engenheiros, Advogados, Médicos, Profissionais de Educação Física, Modelos, Filósofos, Administradores, etc.), bem como, os familiares e próprios alunos com deficiência para darem os seus relatos em defesa de nossa arte, mas fiquei remoendo-me um pouco mais antes de escrever.
Fiz bem! O maior testemunho da importância da Capoeira veio no programa “Fantástico” na reportagem que descrevia sobre como está a comunidade um ano depois que um psicopata invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, bairro da cidade do Rio de Janeiro. As doze crianças mortas darão nomes a creches; as famílias serão indenizadas pela prefeitura; a escola foi remodelada de acordo com as solicitações dos próprios alunos e dos familiares, tendo inclusive pinturas artísticas das crianças nas paredes; e, apesar de toda a dificuldade, a comunidade sente a necessidade de fazer ressurgir a alegria tão importante para que a vida siga. Justo nesta fala aparece na tela a imagem de alguns adolescentes da escola “batendo tambor, praticando o Maculelê e jogando Capoeira”, felizes da vida!
Pronto: a associação da Capoeira com o ressurgimento da alegria – tal qual um Fênix, o lendário pássaro africano que renasce das cinzas – ocorrida em Realengo é uma ‘rasteira’ no atrasado “jornalista” e seus adeptos.

Berimbau Hero

            O sítio da Associação Capoeira na Escola agora disponibiliza o jogo “Berimbau Hero”. Entre no endereço: www.capoeiranaescola.org.br e acesse o jogo virtual na aba à direita da tela. Será diversão garantida.

Próximas atividades

·         Roda de Capoeira Regional, às 10h, no Casarão Born. Centro de Biguaçu; e
·         Roda e Aniversário da Contramestra Rosa, às 16h, na Avenida Beiramar de São José.

Quadra (Cantiga de Capoeira)

"Oração de braço forte,
oração de São Mateus;
Quando amanheço zangado
quem pode comigo é Deus, camará
Água de beber,
Água de beber, camará"

terça-feira, 3 de abril de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 04 04

Os “Tigres”

            No início do século XIX, o Brasil não possuía sistema algum de tratamento dos resíduos das casas. No Rio de Janeiro, viajantes descreviam a situação como deplorável: eram ratos aos milhares; fezes e urina jogadas pela janela sem preocupação com quem passasse por baixo; muita proliferação de insetos e ainda o calor enorme. O cenário perfeito para a propagação de inúmeras doenças. Os “cientistas” da época não permitiam nem o uso de fossa, pois afirmavam que o lençol freático era muito próximo e poderia ser contaminado.
            A única opção era jogar os resíduos no mar, tarefa que, obviamente, sobrara aos cativos. Latas enormes eram carregadas e por vezes derramavam sobras dos excrementos nas próprias costas. A ureia e a amônia, contidas na urina, em contato com o sol, produziam marcas malhadas nos corpos de tal modo que os negros impostos nessa função recebiam o apelido de “Tigres”.
            Há relatos de atividade dos “Tigres” até 1860, no Rio de Janeiro, e até 1882, no Recife, e isso é argumento para alguns estudiosos que tentam justificar a demora da instalação das redes de saneamento no litoral brasileiro.
           
Língua Brasileira

            Um dos motivos da Língua Portuguesa de Portugal ser muito diferente da Língua Portuguesa do Brasil é o fato de aqui ter acontecido um confronto entre o idioma europeu com as línguas bantas e indígenas.
            A professora Yeda Castro, pesquisadora do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros em Línguas e Culturas da Universidade do Estado da Bahia, assinala algumas características marcantes dessa influência: a pronúncia rica em vogais (ri.ti.mo, a.di.vo.ga.do); a nossa sintaxe – tendência a não marcar o plural do substantivo (os menino, as casa, dez hora); a dupla negação (não quero não); o emprego preferencial da próclise (me dê, eu te disse); e a troca de palavras usadas em Portugal pelas usadas nas tribos e aldeias africanas ou indígenas, tais quais usamos: “Caçula”, em alusão ao filho mais novo em vez de “Benjamim”; “Capenga” por “Coxo”; “Cachaça” em vez do europeu “Aguardente”; “Cochilar” por “Dormitar”; “Xingar” por “Insultar”; “Dengo” por “Mimo”; “Marimbondo” por “Vespa”, entre outras.
Fica a dica do livro da Professora Yeda Pessoa de Castro: Falares Africanos na Bahia (ABL/TOPBOOKS.2001).


Roda da Vela

            Não esqueçam: amanhã (05/04) acontecerá a Roda da Vela no Centro de Artes Marciais (CAM). Será às 20h. Cada participante deverá trazer uma vela e um recipiente (pires). Após a roda, haverá distribuição de canjica.
            O intuito é, tão somente, jogar Capoeira num clima diferente e rústico. O jogo das sombras nas paredes também contribui para a formação de um cenário inesquecível. Participe!

terça-feira, 27 de março de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 03 28

A culpa sempre é do morro

            Sequestros relâmpagos; explosões em caixas eletrônicos; estupros e etc.; esse cenário atual da Grande Florianópolis suscitou o debate no principal noticiário da televisão. Especialistas em segurança pública, ex-esportistas e as chefias do poder público (prefeituras e polícias), comentam sobre o que gera tanta violência.
            O senso comum desses comentaristas baseia-se em dois pontos: o primeiro é a afirmação de que com a propagação da qualidade de vida existente em Florianópolis através da imprensa muitas pessoas mal intencionadas vieram morar aqui - detalhe enfatizado por ambos: nos morros! -; o segundo ponto é o de que o efetivo policial é insuficiente para combater o tráfico de drogas – novamente - nos morros, fator motivacional da escalada da violência.
            Após a “Abolição da Escravidão”, o morro e as margens da cidade (daí a palavra ‘marginalização’) foram os locais de moradia que sobraram aos ex-cativos. Desde essa época, é comum ouvir a transferência de responsabilidade dos efeitos colaterais da discrepância social aos menos favorecidos.
Será que todos os que vêm morar aqui na Grande Florianópolis são criminosos e vão morar nos morros? É óbvio que existe tráfico no morro e nas comunidades carentes, principalmente porque muitos moradores do asfalto (classes mais altas) vão lá comprar, mas as incursões policiais devem ser feitas somente nos locais dos que oferecem ou também em Jurerê Internacional e no Bosque das Mansões com as várias festas regadas à cocaína e maconha?
Por fim, não será somente com o aumento do efetivo policial que os problemas da violência serão resolvidos, assim como a culpa não deve ser só do morro, mas de toda a sociedade que contribui para a desigualdade. O combate à corrupção é um grande passo e a Educação é outro, mas como falar em Educação num País em que o piso salarial da classe é R$ 1.451,00 por 40 horas de trabalho semanal?

A Gangue das Loiras

            Mulheres acima de qualquer suspeita - bem arrumadas; maquiadas; perfumadas; entre 20 e 30 anos de idade; aparentando ser da classe média -, muito longe do estereótipo do criminoso, aterrorizam a cidade de São Paulo. São mais de cinquenta sequestros e uma infinidade de assaltos em estacionamentos de shoppings e arrastões em condomínios de luxo.
            Devem morar nos morros de Floripa...

Próximas atividades

·         Roda na Avenida Beiramar de São José e Aniversário do Instrutor Chuveiro, às 16h, sábado (31/03);
·         Roda da Vela, dia 05/03/2012, às 20h (CAM). O jogo à luz de vela gera um clima singular e rústico, lembrando as senzalas de outrora. Haverá distribuição de canjica.
           

terça-feira, 20 de março de 2012

Eu já joguei Capoeira...

Coluna Fala Capoeira 2012 03 21

Inversão de valores

            Este caso aconteceu em Curitiba (PR): uma senhora de 84 anos pediu para que um parente atualizasse os valores, anotados numa caderneta, de uma dívida contraída há 50 anos, pois gostaria de pagar. Localizou o credor e, enfim, pagou cento e cinquenta reais.
            O que me inquieta são os comentários desse fato quando afirmam que a atitude da devedora é uma prova de que ainda existem pessoas honestas no mundo.
Dever por 50 anos é sinal de honestidade?
Lembrei-me de uma frase de Mestre Pastinha:
“Pratico a verdadeira Capoeira Angola e aqui
os homens aprendem a ser leais e justos.
A lei de Angola que herdei de meus avós é a lei da lealdade (...)”

Calouro

Provando que a deficiência pode ser um limitador, mas nunca um sinônimo de incapacidade, Gabriel Nogueira conseguiu entrar na Faculdade de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (RS).
Gabriel tem síndrome de Down, mas o afeto familiar e a inserção no ensino regular fizeram dele um vencedor e um grande exemplo para a sociedade. O agora calouro tem 24 anos, é faixa-preta de Taekwondo e namora há dois anos.

Dia de Luta Contra a Discriminação Racial

Hoje, 21 de março, é mais um dia de recordação do Massacre de Shaperville (África do Sul). Em 1960, vinte mil pessoas protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão para poder transitar em locais pré-determinados. A polícia abriu fogo nos civis protestantes e desarmados, matou 69 e feriu outros 186.
A propósito, o Indiano líder pacifista, Gandhi, teve um entrave com essa mesma polícia sobre o uso do passe. A cena forte está no filme sobre sua biografia.
A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou o 21 de Março como o Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial.

Roda: “Eu já joguei Capoeira...”

Em algum momento, nos 16 anos do Projeto Capoeira na Escola em Biguaçu, você ajudou a construir essa história. Talvez tenha sido:
- na S.R 17 de Maio, local do começo de tudo;
- nas idas às rodas de sexta-feira à noite, em Floripa;
- nas Rodas da Madrugada;
- nas buscas de verga em Luas minguantes;
- nas rodas na Praça e na conquista do concreto polido em forma de círculo;
- na gravação de nosso CD e na publicação de nosso livreto;
- numa das idas ao Rio de Janeiro ou à Bahia;
- na presença de grandes Mestres, como: João Pequeno, Pelé do Tonel, Gildo Alfinete, Nenel, Boinha, Cafuné, Vuê, Mudinho, Pé-de-Chumbo, Ciro e tantos outros; ou, talvez, em todos esses e muitos outros momentos.
            Em busca de rever os escritores da pequena e bela história da Capoeira em Biguaçu é que a Associação Cultural Capoeira na Escola convida-o para a Roda: “Eu já joguei Capoeira...”
Será no Centro Cultural Casarão Born (Centro-Biguaçu), às 19h do próximo sábado (24/03).

terça-feira, 13 de março de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 03 14

Direito à consulta

            Está acontecendo em Brasília o encontro para a determinação das diretrizes para aplicação no Brasil da Convenção 169, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa convenção trata da atribuição do direito de serem consultadas as tribos indígenas e aldeias quilombolas e de remanescentes quando da elaboração de políticas públicas que as tenham como meta.
Ante tarde do que nunca, a partir de agora, são reconhecidas as aspirações das comunidades tradicionais em assumir o controle de suas próprias instituições, formas de vida e desenvolvimento, levando em consideração seu histórico e ancestralidade.

Infelizmente, Hitler vive

            Sob a alegação de que a Alemanha estava tomada por Judeus que “roubavam” seus empregos e moradias, e que impediam o crescimento do país, Hitler, com o seu poder de persuasão, lavou o cérebro dos soldados nazistas e deu início ao genocídio como solução ao problema dos imigrantes.
            Hoje, a Europa vive um momento de muita instabilidade econômica – vide a beira da falência da Grécia – e a União Europeia (UE) fez renascer o líder xenofóbico através de uma propaganda televisiva. Nela, uma mulher branca vestida como a protagonista do filme “Kill Bill”, com um uniforme amarelo e azul (as cores da UE), caminha num galpão quando é ameaçada por lutadores de Kung fu, de Capoeira e de Calaripayattu, arte macial indiana.
A protagonista então se multiplica em várias, formando um círculo ao redor dos agressores (representantes de países componentes do BRICs) que desistem da luta. Após a debandada dos adversários, ela e seus clones transformam-se no símbolo da UE. “The more we are, the stronger we are” (algo como “quanto mais nós somos, mais fortes seremos”), diz o lema da campanha.
Após muita polêmica, a propaganda foi tirada do ar e a União Europeia, como um João-sem-braço, pediu desculpas e lamentou a interpretação “errada”.

Atualização monetária

            Por qual quantia era vendido um escravo no Brasil?
Partindo dos documentos históricos e da literatura encontrados sobre a Escravidão chega-se até ao valor de 240 mil réis. Cada quatro mil réis correspondiam a uma libra esterlina, ou seja, 60 libras esterlinas. Fazendo a atualização, essa libra esterlina da escravidão valeria hoje 56 vezes mais. Assim, 56 vezes 60 igual a 3360 libras atuais. Na cotação de hoje, a libra esterlina tem o valor médio de R$ 3,00. Para finalizar, 3360 vezes R$ 3,00 é igual a R$ 10.080,00.
Na África, 40% dos negros morriam entre o ponto em que eram capturados e o litoral, onde eram vendidos aos traficantes. Nos navios negreiros, devido às péssimas condições de saúde e alimentação, cerca de 10 a 15% morriam na travessia que durava cerca de dois meses sobre o oceano. Como chegaram ao Brasil cerca de cinco milhões de escravos, pelos dados anteriores, percebe-se que morreram mais cinco milhões nesse nefasto período de nossa história.
Para pesquisar mais é indicado o sítio de atualização monetária www.globalfinancialdata.com, indicado por Laurentino Gomes no livro 1808.

terça-feira, 6 de março de 2012

Coluna Fala Capoeira 2012 03 07

Aniversário I

No início da década de 1980, existiu um trabalho de Capoeira em Biguaçu. Foi desenvolvido pelo, hoje, Mestre Pinóquio. As aulas aconteceram na S.R 17 de Maio e na sede do Biguaçu Atlético Clube (BAC) durante aproximadamente três anos. Após esse período, a Capoeira no município ficou adormecida por mais de 10 anos. Em onze de março de 1996, o Projeto Capoeira na Escola inicia as suas primeiras aulas na S.R 17 de Maio, e de lá para cá são dezesseis anos ininterruptos de muita capoeiragem em Biguaçu.

Aniversário II

            De acordo com os registros da Associação Cultural Capoeira na Escola, cerca de seis mil pessoas já experimentaram a prática de Capoeira nesses dezesseis anos, o que se torna algo muito notável num município com 60 mil habitantes – 10% da população.
            O número de pessoas descrito acima só foi alcançado pelo uso da didática constantemente atualizada; pelos intercâmbios com grandes Mestres da Velha-Guarda; pela motivação dos educadores; mas principalmente pelo apoio do poder público. Devido à neutralidade da diretoria da Associação é que, mesmo mudando as gestões, o Projeto Capoeira na Escola perpetua o lema: "Entre o berimbau e o caderno, a Capoeira formando cidadãos".

Aniversário III

Para comemorar o aniversário de dezesseis anos, o Projeto Capoeira na Escola convida a comunidade em geral para o encontro na Praça Central de Biguaçu no próximo sábado (10/03), às 10h, com roda de Capoeira, Maculelê, Samba-de-roda e confraternização.
Além dessa atividade, no mês de março será realizada a roda "Eu já joguei Capoeira...", um reencontro de ex-alunos com o trabalho atual. Aguarde informações.

História: O Mercado de Valongo

            O maior entreposto negreiro das Américas sumiu do mapa sem deixar vestígios. Sua localização é ignorada nos mapas de ruas e nos guias turísticos do Rio de Janeiro. Situada entre os bairros da Gamboa, do Santo Cristo e da Saúde, a antiga Rua do Valongo até mudou de nome: chama-se Rua do Camerino. Ao final dela, em direção à Praia Mauá, uma ladeira chamada Morro do Valongo, sem nenhuma placa, monumento ou explicação, é a única referência geográfica que restou. É como se a cidade, de alguma forma, tentasse esquecer o velho mercado negreiro e a mancha que ele representa na História do Brasil. Esforço inútil, porque bem ali perto fica o Sambódromo, onde, em todo o Carnaval, ao menos uma escola insiste em lembrar que a escravidão faz parte da memória dos cariocas e de todos os brasileiros.

Fonte: 1808 – Laurentino Gomes